Cruzeiro 5x4 Fast - 16/02/1978

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
Ir para navegação Ir para pesquisar


Confrontos
(clique no jogo para navegar)
Por temporada
Escudo Bahia.png 2x2 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 0x3 Escudo Botafogo.png
Por Copa Brasil
Escudo Bahia.png 2x2 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 0x3 Escudo Botafogo.png
No estádio Mineirão
Escudo Atlético-MG.png 2x1 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 0x3 Escudo Botafogo.png
Contra Fast
Escudo Fast.png 1x1 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Última ficha →

[edit]

Escudo Cruzeiro.png
Cruzeiro
5 × 4 Escudo Fast.png
Fast
Fase Final da Copa Brasil 1977
Data: 16 de fevereiro de 1978 Local: Belo Horizonte, MG
Horário: Não disponível Estádio: Mineirão
Árbitro: Braulio Zenoto Público pagante: 8.872
Assistente 1: Eraldo Palmerini Público presente: Não disponível
Assistente 2: Hinz Roesal Renda: Cr$ 260.535,00 R$ 260.535 <br />Cr$ 260.535 <br />NCr$ 260.535 <br />Cz$ 260.535 <br />NCz$ 260.535 <br /> (preço médio: Cr$ 29,37 )
Súmula: Súmula do jogo
Escalações
Cruzeiro: Fast:

1. Raul 1. Iane
2. Darci Menezes 2. Edgar aos do
3. Zezinho Figueiroa Substituição realizada de jogo ( Mariano ) 3. Néo
4. Nelinho  Gol aos do 4. Carlinhos Gol aos do
5. Vanderlei 5. Carlos Alberto Cartão vermelho recebido aos
6. Eduardo Amorim 6. Mário
7. Erivélton  Gol aos do 7. Raulino Gol aos do Gol aos do
8. Flamarion 8. Limão
9. Lívio  Gol aos do 9. Rolinha
10. Joãozinho 10. Dentinho Gol aos do
11. Revetria  Gol aos do 11. Reis Substituição realizada de jogo ( Barrote )
Técnico: Aymoré Moreira Técnico: Antônio Piola
Reservas que não entraram na partida
Cruzeiro: Fast:

Como foi o jogo

Um jogo pelo Brasileiro de 1977, disputado em fevereiro de 1978, definiu minha forma de ver a parceria entre time e torcida. Foi um jogo dramático em que, tanto o ataque celeste teve tantas facilidades, quanto as que a defesa concedeu ao adversário.

Estou falando de um Cruzeiro 5×4 Fast Clube, com a torcida celeste oscilando entre o aplauso pela expectativa de uma goleada fácil e a queima de bandeiras e a vaia impiedosa.

No final, porém, tudo acabou bem.

Decorridos apenas 2 minutos, Flamarion buscou Lívio no comando do ataque, mas o beque Edgar, afoito, torou o pé na bola e estufou o barbante fazendo um golaço contra. Cruzeiro 1×0.

Pra um time que viera ao Mineirão jogar na retranca, aquilo foi uma ducha de água fria. Os amazonenses se descontrolaram e o Cruzeiro se aproveitou. Aos 3, Revétria acertou um bom chute e, aos 9, Nelinho recebeu passe de Eduardo Amorim e, livre, chutou pra fora.

Aos 9, Joãozinho fez um carnaval pela canhota e soltou a bomba. Iane não conseguiu segurar e no rebote Lívio marcou. Cruzeiro 2×0.

Logo em seguida, Erivelto recuperou uma bola, esperou a ultrapassagem de Nelinho e o colcoou em condição de finalizar. Iane catou, com dificuldade.

O Cruzeiro deu uma vacilada e, aos 15, o ponta Raulino obrigou Raul uma defesa difícil, com um chutaço no ângulo. Mas o time celeste continuou buscando o gol e, aos 25, Revétria pegou rebote de um chute de Eduardo, na baliza, mas arrematou pra fora.

O Cruzeiro arrefeceu a pressão e, aos 26, o pontesquerda Reis passou como quis por Nelinho, foi ao fundo e centrou com precisão na cabeça de Raulino, que testou fazendo Fast 1×2.

Nelinho ia bem ao ataque, mas Flamarion não era Piazza e não cobria suas subidas com a mesma eficácia. Por isto, o Fast levava perigo, com os canhotos Carlinhos e Reis.

Aos 28, Nelinho subiu de novo e soltou outra cacetada. A bola quicou e beijou a rede: Cruzeiro 3×1.

A torcida gostava de ver Cruzeiro atacando sem medo de ser feliz. E começou a contabilizar 3 pontas pela vitória com diferença de 2 gols. Mas a barca virou.

Aos 35, Raulino cruzou da direita e achou Dentinho, que girou em cima de Zezinho Figueiroa e acertou o canto. Fast 2×3. Foi o bastante pro zum-zum-zum nervoso da arquibancada chegar à cancha.

O Fast percebeu que era seu momento e apertou. Aos 44, Reis desarmou Nelinho, foi ao fundo e cruzou pra Dentinho que perdeu o gol de empate.

E foi numa outra saída errada de Nelinho (ele recebeu a bola e ficou procurando alguém pra passar, enquanto Alberto Rodrigues narrava que ele teria sido bloqueado, cercado, marcado e não tinha a quem passar a bola…) que Carlinhos avançou, passou por Flamarion e Zezinho Figueiroa, e, antes da chegada de Darci, soltou a perna. Eram 44 minutos: Fast 3×3.

Um dos microfonistas da Itatiaia disse que Nelinho ficara parado na lateral com as mãos na cintura assistindo Carlinhos avançar e fazer o gol. Foi o bastante pro Mineirão em peso vaiar o lateral.

Parece que só o pessoal da Torcida Azulcrinada viu que o erro não era só de Nelinho, o atacante mais eficaz do time, mas da falta de cobertura e, ao invés de vaiar, aplaudiu o ídolo, quando ele desceu a escadaria de acesso ao túnel. Seu Mané nos retribuiu com um aceno.

O Fast voltou pro 2° tempo disposto a segurar o empate, enquanto o Cruzeiro partia pra cima.

Aos 50, Nelinho se mandou, recebeu de Eduardo e chutou na rede, pelo lado de fora. Aos 54, o Fast contratacou e o lateral Carlinhos fez grande jogada rolou pra Dentinho, que só não fez o gol porque Zezinho Figueiroa lhe tirou a bola, com um carrinho.

Aos 56, Nelinho obrigou Iane a fazer milagre. Ao 60, a torcida começou a vaiar pesadamente.

O time lutava, mas não estva em noite feliz. Aos 63, Joãozinho cobrou corner, a bola bateu em Carlinhos e só não entrou por milagre. Aos 64, o ponta Reis passou por Zezinho Figueroa e Raul Plassmann, mas perdeu o ângulo e chutou pra fora.

O comentarista da Itatiaia voltou a criticar Nelinho. Mais vaias. Mas Cruzeiro estava vivo. Aos 65, Edgar foi apertado por Eduardo e atrasou errado. Revétria se antecipou e colocou a bola na rede: Cruzeiro 4×3.

Mas o desespero voltou. Aos 67, Reis fez um carnaval na esquerda e arrumou um córner. Na cobrança, achou Raulino dentro da área. O ponta fez o gol de empate: Fast 4×4.

O estádio veio abaixo. Começou o quebraquebra, as vaias se avolumaram, teve gente queimando bandeira. E como a Azulcrinada não parava de apoiar o time, quase fomos linchados pelas outras facções.

E foi nessa hira, quando o caldo começava a entornar, que Eduardo Amorim lançou Erivelto. O meia entrou livre na área e, impedido, deslocou Iane: Cruzeiro 5×4.

A partir daí, o Cruzeiro fez uma pressão danada, mas não conseguiu o gol que lhe daria 3 pontos. Nem mesmo com um jogador a mais, devido à expulsão do lateral Carlos Alberto, que apelou com Joãozinho.

Na saída de campo, Nelinho apontou pra nossa torcida. Outros jogadores também retribuíram o incentivo. É claro que esperamos por eles na saída do estádio e o Nelinho nos perguntou onde a gente se reunia após os jogos. Dissemos que era no bar do Joás, na Augusto de Lima com Mato Grosso, no Barro preto. Ele ficou de passar lá.

Ninguém acreditou, pois Nelinho tinha fama de mão-de-vaca. Mas não é que depois de mais de 10 metros de cerveja (era moda colocar garrafas enfileiradas e contar assim…) seu Mané apareceu, sentou com a turma e ainda pagou a conta?!

Na conversa ele, contou que alguns jogadores se sentiram muito mal com as vaias. O garoto Lívio, Vanderlei e o Zezinho Figueiroa, justamente os temperamentos mais introspectivos, sentiram demais os apupos.

Esse jogo ficou na história. Depois de jogar muita bola o tempo inteiro, ser vaiado por grande parte da torcida insuflada pela “rádia” (o alto comando da Itatiaia nunca gostou dele), Nelinho conseguu sair de campo com a vitória e a reversão de postura da torcida. [1]

Referências