Cruzeiro 3x2 América-MG - 23/01/1966

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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Confrontos
(clique no jogo para navegar)
Por temporada
Escudo Cruzeiro.png 2x0 Escudo Atlético-MG.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 5x4 Escudo Rapid Viena.png
Por Campeonato Mineiro
Escudo Cruzeiro.png 7x1 Escudo Guarani-MG.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 1x3 Escudo Renascença.png
No estádio Mineirão
Escudo Cruzeiro.png 2x0 Escudo Atlético-MG.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 5x4 Escudo Rapid Viena.png
Contra América-MG
Escudo América-MG.png 1x2 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 4x3 Escudo América-MG.png

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Escudo Cruzeiro.png
Cruzeiro
3 × 2 Escudo América-MG.png
América-MG
18ª rodada Campeonato Mineiro 1965
Data: 23 de janeiro de 1966 Local: Belo Horizonte, MG
Horário: Não disponível Estádio: Mineirão
Árbitro: Armando Marques (RJ) Público pagante: 44.325
Assistente 1: Carlos Peon (MG) Público presente: 55.000
Assistente 2: João Baptista dos Santos (MG) Renda: Cr$ 44.187.000,00 R$ 44.187.000
Cr$ 44.187.000
NCr$ 44.187.000
Cz$ 44.187.000
NCz$ 44.187.000
(preço médio: Cr$ 996,89 )
Súmula: Não disponível
Escalações
Cruzeiro: América-MG:
1. Tonho 1. Capellani
2. Pedro Paulo 2. Luisinho
3. William 3. Jorge Caiallaux
4. Vavá 4. Airton
5. Neco 5. Eduardo Gol aos do
6. Wilson Piazza 6. Nei
7. Dirceu Lopes Gol aos do Gol aos do 7. Sérgio Substituição realizada de jogo ( Robson )
8. Tostão 8. Samuel
9. Natal Substituição realizada de jogo ( Rossi ) 9. Mosquito
10. Marco Antônio Gol aos do Cartão vermelho recebido aos 10. Nilo Gol aos do
11. Hilton Oliveira 11. Yustrich
Técnico: Aírton Moreira Técnico:
Reservas que não entraram na partida
Cruzeiro: América-MG:

Pré-jogo

Enquanto o América, sob o comando de Iustrich, apodado O Homão, treinava, o Cruzeiro saiu de férias.

Os jogadores celestes só voltaram em 7 de janeiro para uma palestra do trio Brandi, Furletti e Aírton Moreira. Só então começaram os treinamentos para pegar um Coelho afiadíssimo 9 dias depois.

Mas o jogo foi adiado. Choveu tanto na cidade que o Governador requisitou o Mineirão para acolher os desabrigados.

Com uma semana a mais de treinos, o time de Aírton Moreira ficou o ponto. A única dúvida estava entre Rossi e Natal na ponta direita.

O Diabo Louro, como Natal era chamado pelos locutores, dera muito trabalho a Felício Brandi no ano anterior. Fugira para Rio obrigando o presidente a buscá-lo no Fluminense. O tricolor insistiu em manter o ponteiro. Felício pediu Cr$40 milhões e não houve negócio.

O ponteiro voltou e ficou esquecido no Barro Preto. Em 1º de janeiro, o Estado de Minas informou que ele seria emprestado. Mas Natal ganhou a disputa com Rossi, jogou e não decepcionou.

O treinador Airton Moreira estava confiante:

“Importante em uma equipe é o seu moral. No Cruzeiro, o fato causa tranqüilidade. Gente moça, responsável, com amor à camisa, ciente do valor do adversário, cônscia de suas atribuições. Nada falta à equipe para obter um triunfo. Ela saberá lutar com lealdade e disposta a comprovar, mais uma vez, sua condição de candidata real ao título. Wilson Almeida, afastado pelo Departamento Médico é nosso único problema. Ele será substituído por Rossi ou Natal. Com um ou outro, o Cruzeiro estará bem servido. De resto,prometemos muita luta em busca de um resultado favorável.”

Sobre a partida

Iniciada a partida viu-se que o América apostaria nos contra-ataques, enquanto o Cruzeiro, sem descuidar da marcação, tentaria manter o controle da situação com seu já famoso toque de bola.

O estreante Natal fechava pelo meio quando o time perdia a bola, mas voltava, rapidamente, à ponta direita quando Piazza desarmava o adversário. O time passava do 4-4-2 para o 4-3-3 com naturalidade.

O América era mais rígido. Talvez por ser dono de uma oficina mecânica, Iustrich montava times como se encaixasse peças num projeto rigidamente estabelecido. Cada jogador tinha posição e função previamente definida e rigorosamente cobradas por ele.

Assim, Mosquito ficava plantado entre os beques. Jorge e Caiallaux não arriscavam uma saída sequer da defesa. Samuel tinha que jogar mais recuado para puxar um defensor do Cruzeiro. O ponta-esquerda Nilo fazia o terceiro homem do meio de campo auxiliando Eduardo e Nei que, ao contrário de Piazza e Dirceu, jamais saiam para o ataque quando tinham a posse de bola.

E, mesmo que a tática não funcionasse, tinha de ser mantida a qualquer custo.

Mais maleável e criativo o Cruzeiro dominava completamente o jogo quando, numa bola lançada sobre a área, William interfere numa disputa entre Tonho e Mosquito e comete pênalti. Eduardo bate e faz o 1º gol do América.

O Cruzeiro não acusou o golpe. Manteve seu estilo. Aos 34, Dirceu Lopes chutou de fora da área para empatar.

O América desorientou-se. Levou 10 minutos de pressão até que, meio grogue, aos 44, Caiallaux parou num lance e permitiu que Marco Antônio entrasse livre na área para desempatar.

O Cruzeiro voltou ainda melhor no 2º tempo.

Hilton Oliveira continuou vencendo o duelo contra Luizinho. Dirceu Lopes enlouquecia os beques americanos com arrancadas e gingas desconcertantes.

Milagrosamente, o América ia conseguindo se safar do gol de misericórdia. E, confirmando o dito “quem não faz, leva”, aos 37, o Coelho empatou. Num momento de desobediência tática geral, Mosquito caiu pela lateral e cruzou. Tonho cortou o cruzamento, mas Nilo apanhou o rebote e marcou.

O Cruzeiro acelerou o jogo. Mas sofreu um golpe com a expulsão de Marco Antônio aos 39. Numa disputa com Capellani, ele fez falta e reclamou da marcação. Genioso, Armandinho Marques irritou-se e expulsou o centroavante.

Qualquer time medíocre tentaria segurar o jogo. Mas aquele Cruzeiro era diferente. Por isso, atacou ainda mais e, aos 42, foi recompensado por sua ousadia. Tostão tentou lançar Rossi, que entrara no lugar de Natal, mas a bola, interceptada por Eduardo, caiu no pé direito de Dirceu Lopes. Golaço: 3×2.

A torcida celeste foi diretamente do Mineirao para o Barro Preto. O trânsito foi interrompido na Rua Guajajaras. A diretoria mandou abrir o bar e o salão de festas.

Torcedores interceptaram o ônibus que levava o time para a festa e carregaram os jogadores nos ombros até o gramado do Estádio JK.

A quatro rodadas do final, o Cruzeiro colocava 4 pontos de frente sobre o vice-líder Coelho. Alguma dúvida de que aquele título era macuco no embornal?

Fonte