Cruzeiro 3x0 River Plate - 20/11/1991

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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Confrontos
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Por temporada
Escudo Cruzeiro.png 3x1 Escudo Esportivo.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 0x2 Escudo Atlético-MG.png
Por Supercopa Libertadores
Escudo River Plate.png 2x0 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Escudo Atlético Nacional.png 1x1 Escudo Cruzeiro.png
No estádio Mineirão
Escudo Cruzeiro.png 0x1 Escudo América-MG.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 0x2 Escudo Atlético-MG.png
Contra River Plate
Escudo River Plate.png 2x0 Escudo Cruzeiro.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 2x0 Escudo River Plate.png

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Escudo Cruzeiro.png
Cruzeiro
3 × 0 Escudo River Plate.png
River Plate
2ª Partida da Final da Supercopa Libertadores 1991
Data: 20 de novembro de 1991 Local: Belo Horizonte, MG
Horário: 21:30 Estádio: Mineirão
Árbitro: Hernán Silva Público pagante: 67.279
Assistente 1: Gastan Castro Público presente: Não disponível
Assistente 2: Enrique Marin Renda: Cr$ 218.402.000,00 R$ 218.402.000 <br />Cr$ 218.402.000 <br />NCr$ 218.402.000 <br />Cz$ 218.402.000 <br />NCz$ 218.402.000 <br /> (preço médio: Cr$ 3.246,21 )
Súmula: Súmula do jogo
Escalações
Cruzeiro: River Plate:

1. Paulo César Borges 1. Ángel Comizzo Cartão amarelo recebido aos 44  (2T) 44'  (2T)  
6. Nonato 2. Jorge Gordillo
4. Adilson Batista 3. Jorge Higuaín
3. Paulão Cartão amarelo recebido aos 44  (1T) 44'  (1T)   4. Guillermo Rivarola Cartão amarelo recebido aos 43  (2T) 43'  (2T)  
14. Célio Gaúcho 5. Carlos Enrique
5. Ademir  Gol aos 33 do  (1T) 33'  (1T) 6. Hernán Díaz Substituição realizada 32' (2T) de jogo 32' (2T) ( Sergio Berti )
8. Boiadeiro 7. Leonardo Astrada
10. Luís Fernando Flores Substituição realizada 17' (2T) de jogo 17' (2T) ( Macalé ) 8. Gustavo Zapata Substituição realizada 5' (2T) de jogo 5' (2T) ( Julio César Toresani )
7. Mário Tilico  Gol aos 6 do  (2T) 6'  (2T) Gol aos 29 do  (2T) 29'  (2T) Substituição realizada 37' (2T) de jogo 37' (2T) ( Paulinho ) 9. Juan Borrelli
9. Charles Fabian 10. Ramón Medina Bello
11. Marquinhos 11. Ramón Díaz
Técnico: Ênio Andrade Técnico: Daniel Passarella
Reservas que não entraram na partida
Cruzeiro: River Plate:

Sobre o jogo

O segundo jogo foi marcado para o dia 20 de novembro, no Mineirão, e o Cruzeiro teria a difícil missão, impossível para muitos, de vencer por três gols de diferença para levar o caneco. “O Ênio Andrade foi fundamental na preparação da equipe para o segundo jogo. Ele nos convenceu de que era possível reverter o resultado e passou muita confiança para a gente”, recorda o ex-atacante Charles.

O que ninguém poderia imaginar é que o Cruzeiro aplicaria um dos maiores bailes sobre o River Plate. O time imprimiu um ritmo alucinante do primeiro ao último minuto de jogo e com um toque de bola envolvente, transformou o onze milionário num mero espectador.

O volante Ademir abriu o placar aos 34 minutos, ao desviar de cabeça uma cobrança de escanteio. Segundo uma estatística levantada pela revista El Grafico, da Argentina, o lance do gol de Ademir foi a 13ª das 18 chances de gol criadas pelo Cruzeiro, somente, no primeiro tempo.

O show de bola continuou na segunda etapa e, aos seis minutos, Mario Tilico ampliou ao desviar para gol, um lançamento do meia Macalé, que havia entrado na vaga de Luiz Fernando, que saiu machucado no primeiro tempo.

O gol do título foi aos 29 minutos, numa arrancada de Charles que partiu com a bola, desde o meio de campo, e terminou com o toque final de Tilico para as redes. “Acho que foi a única vez que fiz uma jogada como aquela”, recorda o ex-atacante Charles.

Para a geração de torcedores cruzeirenses da década de 1990, foi a maior vitória da história do clube e para a torcida milionária a derrota mais inesquecível. “Ninguém acreditava que o Cruzeiro pudesse reverter aquele resultado e a torcida do River não se conforma até hoje”, recorda o ex-lateral esquerdo Sorin, que na ocasião jogava nas categorias de base do River.

Aquele jogo é tratado na Argentina como “la pesadilla del Mineirao (o pesadelo do Mineirão)”. A atuação de Charles impressionou o astro Maradona, que acompanhou as finais. No ano seguinte, o meia do Napoli, da Itália, pagou 1,2 milhão dólares do próprio bolso pelo jogador e o cedeu ao Boca Juniors. “Se não posso jogar no Boca, que jogue este fenômeno”, justificou o ídolo argentino.

“Aquele título representou uma nova era no Cruzeiro, que já tinha um título Brasileiro e uma Libertadores, mas há muitos anos não conquistava um título de expressão. Após a conquista o Cruzeiro passou a ser o que é hoje. Cresceu estruturalmente, formou times fortes e ganhou títulos em sequência”, analisa o ex-camisa 10, Luiz Fernando.

O que foi dito

  • Charles: o treinador fez a diferença

O atacante Charles não marcou gol na decisão contra o River, mas teve atuação tão destacada que foi comprado por Maradona por US$ 1,25 milhão após a final. O craque argentino colocou o atacante no Boca Juniors. Foi a maior venda de um jogador no futebol brasileiro até então. Para o ex-atleta, a presença do treinador Ênio Andrade durante a semana decisiva foi crucial para o título sobre o River.

O que mais me marcou naquela decisão foi o Ênio Andrade, que acreditou o tempo inteiro. Durante toda a semana, ele conversou com cada um dos jogadores, falou em marcar época, fazer história, mostrou que tínhamos que acreditar, só nós poderíamos reverter a situação. Foram oito dias de concentração total, um jogador incentivando o outro, querendo mostrar a vontade de vencer”, relembra Charles.

”Os jogadores atuais também têm uma tarefa difícil. O time do Atlético é o melhor da América atualmente. Se o Cruzeiro conseguir reverter o resultado, será histórico. No futebol tudo é possível. O Cruzeiro era o único clube do Brasil invicto até esse domingo, não pode perder a confiança, tem que acreditar”, completou.

  • Mário Tilico: torcida foi combustível

O atacante Mário Tilico marcou dois gols na final contra o River (o outro foi marcado pelo volante Ademir) e virou herói do título. Para ele, o apoio incondicional dos 67.279 pagantes foi o grande combustível para a vitória por 3 a 0.

Foram 70 mil torcedores nos apoiando do início ao fim, isso intimidou o time do River e nos deu moral. A cada bola dividida, a cada lance de perigo, nossa torcida se inflamava mais. Claro que num clássico isso é diferente, pois haverá uma parcela de atleticanos no estádio no próximo domingo”, avalia Tilico. Para ele, a maturidade do grupo também foi fundamental na vitória de 91.

Tínhamos um elenco experiente, acostumado a decisões e o grupo era como uma família, nós conversávamos entre a gente para conseguirmos a vitória. Só conseguimos reverter a situação porque nós, atletas, entramos determinados e cientes de que era possível reverter. O River era um grande time, como é o Atlético hoje, mas acreditamos em nós mesmos e entramos para a história do clube”.

  • Boiadeiro: auto-estima e confiança

O meia Marco Antônio Boiadeiro ressalta que a auto-estima e a confiança do grupo foram determinantes para a vitória histórica sobre o River.

Nessa hora, mais do que esperança, tem que ter confiança. Tudo pode acontecer no futebol. Tem que treinar sabendo que não está perdido, você pode reverter qualquer situação. Aquela final contra o River foi assim. Eu já perdi jogo faltando 30 segundos para acabar, já ganhei partida em que o time não fez nada em 90 minutos e depois fez em três. O importante é ter pegada e preparo físico e psicológico. O resto é o dom que Deus nos deu, que é jogar bola”.

Como torcedor celeste, o ex-jogador mandou um recado para os atletas do elenco atual do Cruzeiro. “Você pode perder o campeonato, mas não pode perder o clássico. Tem que lutar até o fim. O Atlético é um grande time e vai jogar esperando o contra-ataque, mas o Cruzeiro tem que ser firme e brigar até o fim, dar a vida nos 90 minutos”.

Vídeos

Jogo completo.
Gols.

Transmissão

  • Record

Fonte

  • Livro Almanaque do Cruzeiro Esporte Clube 1921-2013- RIBEIRO, Henrique - Caxias do Sul-RS: Editora Belas Letras Ltda., 2014. 405