Cruzeiro 1x3 Renascença - 29/01/1966

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Confrontos
(clique no jogo para navegar)
Por temporada
Escudo Cruzeiro.png 5x4 Escudo Rapid Viena.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 6x2 Escudo Flamengo.png
Por Campeonato Mineiro
Escudo Cruzeiro.png 3x2 Escudo América-MG.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 2x1 Escudo Atlético-MG.png
No estádio Mineirão
Escudo Cruzeiro.png 5x4 Escudo Rapid Viena.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 6x2 Escudo Flamengo.png
Contra Renascença
Escudo Cruzeiro.png 4x0 Escudo Renascença.png Gol aos do Escudo Cruzeiro.png 3x0 Escudo Renascença.png

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Escudo Cruzeiro.png
1 × 3
Escudo Renascença.png



Informações

Data: 29 de janeiro de 1966
Local: Belo Horizonte, MG
Estádio: Mineirão

Árbitro: Carlos Peon
Assistente 1: Witan Marinho
Assistente 1: Doraci Jerônimo


Público e Renda

Público pagante: 4.781
Público Presente: 5.500
Renda: Cr$ 4.556.000,00 R$ 4.556.000 <br />Cr$ 4.556.000 <br />NCr$ 4.556.000 <br />Cz$ 4.556.000 <br />NCz$ 4.556.000 <br /> (preço médio: Cr$ 952,94 )


Escalações

Cruzeiro
  1.  Tonho
  2.  Pedro Paulo
  3.  William
  4.  Vavá
  5.  Neco
  6.  Wilson Piazza
  7.  Dirceu Lopes
  8.  Tostão
  9.  Natal Substituição realizada de jogo ( Osvaldo Rossi )
10.  Marco Antônio  Gol aos 6 do  (1T) 6'  (1T)
11.  Hilton Oliveira
Técnico: Aírton Moreira

Renascença
  1. Mussula
  2. Toledo
  3. Benito Fantoni
  4. Zé Luiz
  5. Nelsinho
  6. Corgozinho
  7. De Paula
  8. Pelado Gol aos 30 do  (1T) 30'  (1T)
  9. Nísio Gol aos 23 do  (2T) 23'  (2T)
10. Zeca
11. Silvinho Gol aos 3 do  (1T) 3'  (1T)
Técnico: Pireco


Reservas que não entraram na partida


Pré-jogo[editar]

No meio da semana, o Cruzeiro venceu o Rapid Viena por 5×4 num jogo que Tostão considera um dos mais bonitos de sua carreira. O time parecia ter atingido a perfeição. Certamente, teria pista livre até a última rodada. Mas, como se diz no futebol mineiro, porco magro é que suja a água.

E aconteceu o que ninguém poderia prever: a retranca do Renascença funcionou. Todas as demais, até então, haviam se revelado inúteis, mas essa deu certo.

Sobre o jogo[editar]

Com um time praticamente inteiro de veteranos, alguns com passagens pelo Cruzeiro (Mussula, Benito Fantoni e Pelado) o Rena abriu o placar aos 3 minutos. Pedro Paulo perdeu uma bola para Silvinho que não teve trabalho pra marcar.

Nada que assustasse muito. Aos 6, Natal cruzou e Marco Antônio empatou. Mas o Rena estava abençoado e Pelado, de cabeça, desempatou, aos 30.

Decidido a colocar as coisas nos devidos lugares, o Cruzeiro foi pra cima do alvinegro suburbano, descuidando-se da defesa. E tomou o terceiro gol aos 23 do 2º tempo. Silvinho puxou um contra-ataque e serviu Nísio que, diriam os locutores, colocou números definitivos no placar: 3×1.

Na pressão que se seguiu, Tostão chutou um pênalti para fora aos 28. E marcou um gol que não valeu. Uma bola chutada por ele já havia atravessado a risca fatal quando foi rebatida por Mussula. Carlos Peon não viu. Ficou por isso mesmo.

Pós jogo[editar]

Assim como Vicente Feola e Carlos Nascimento, na rodada anterior, o Sobrenatural de Almeida, personagem de Nelson Rodrigues, também deve ter se abalado do Rio de Janeiro pra conhecer Tostão e Dirceu. Não existe outra explicação pra zica que se abateu sobre o time estrelado.

Ou existe? Foi a primeira vez que o Cruzeiro defendeu o Gol da Cidade no 1º tempo. Por superstição, o time sempre escolhia atacar para o lado da Cidade no tempo inicial. Dessa vez, perdido o toss, a situação se inverteu e lá se foi uma invencibilidade de 23 partidas.

A incredulidade se apossou dos cruzeirenses. No vestiário, Piazza, Tostão e Dirceu choravam. Aírton Moreira reclamava do juiz e Felício, acabrunhado, balançava a cabeça e balbuciava:

“O Renascença não joga e não deixa jogar. Assim, fica mais fácil vencer o campeão da Áustria ou até a Seleção Brasileira…”

Mas o pior ainda estava pra acontecer. Voltando do estádio, o ônibus do Cruzeiro foi atacado por torcedores do América e do Atlético na Avenida Antônio Carlos, próximo ao Conjunto do IAPI –onde Tostão se revelou jogando nos infantis do Industriários.

Os torcedores mais mansos se contentaram em exibir uma pele de raposa. Os furiosos xingaram e atiraram pedras. Os jogadores mandaram parar o ônibus e desceram para brigar com a turba.

William e Hilton Oliveira, os que se saíram melhor na batalha, foram denunciados à Polícia pelos agredidos. Deu pouco mais do que uma amolação comum nessas circunstâncias.

A noite foi da coligação Atlético/América, posto que o Rena não tinha mais do que meia dúzia de torcedores.

Foguetes espocaram madrugada afora. Para os rivais, estava provado que aquele futebol espetacular do Cruzeiro não passava de fogo de palha. No que estavam redondamente enganados, como se verá adiante.

Fonte[editar]