Cruzeiro 1x2 Estudiantes - 15/07/2009

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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Confrontos
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Por temporada
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Por Copa Libertadores da América 2009
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No estádio Mineirão
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Contra Estudiantes
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Cruzeiro
1 × 2 Escudo Estudiantes.png
Estudiantes
Jogo de volta - Final - Copa Santander Libertadores 2009
Data: 15 de julho de 2009 Local: Belo Horizonte, MG
Horário: 21:50 Estádio: Mineirão
Árbitro: Carlos Chandía Público pagante: 64.800
Assistente 1: Patricio Basualto Público presente: Não disponível
Assistente 2: Francisco Mondría Renda: R$ 2.764.366,43 R$ 2.764.366,43 <br />Cr$ 2.764.366,43 <br />NCr$ 2.764.366,43 <br />Cz$ 2.764.366,43 <br />NCz$ 2.764.366,43 <br /> (preço médio: R$ 42,66 )
Súmula: Ficha
Escalações
Cruzeiro: Estudiantes:

1. Fábio 21. Andújar
2. Jonathan 3. Christian Cellay Cartão amarelo recebido aos 83 83'  
3. Thiago Heleno 14. Schiavi
22. Leonardo Silva 2. Desábato
20. Gerson Magrão 16. German Ré
15. Henrique  Gol aos 7 do  (2T) 7'  (2T) 22. Braña Cartão amarelo recebido aos 45  (1T) 45'  (1T)   Substituição realizada 42'(2T) de jogo 42'(2T) ( 5. SánchezCartão amarelo recebido aos 45  (2T) 45'  (2T)   )
7. Marquinhos Paraná 8. Pérez
8. Ramires 11. Verón Cartão amarelo recebido aos 38  (1T) 38'  (1T)  
10. Wagner Substituição realizada de jogo ( 6. Athirson ) 23. Benítez Substituição realizada 35'(2T) de jogo 35'(2T) ( 13. Díaz )
25. Kléber 10. Fernández Gol aos 12 do  (2) 12'  (2) Substituição realizada 45'(2T) de jogo 45'(2T) ( 9. Calderón )
9. Wellington Paulista Substituição realizada de jogo ( 11. Thiago Ribeiro ) 17. Boselli Gol aos 27 do  (2T) 27'  (2T)
Técnico: Adilson Batista Técnico: Alejandro Sabella
Reservas que não entraram na partida
Cruzeiro: Estudiantes:
12. Andrey 6. Fernadez
5. Fabrício 7. Salgueiro
16. Bernardo 18. Nunez
17. Elicarlos 25. Albil
21. Fabinho Alves

Pré-jogo

  • 20h – Torcidas organizadas presentes no Mineirão: Mancha Azul, Jovem das Cativas, Cru Chopp, Motozeiros, Nação Azul, Pavilhão, Pavilhão Independente, Raposões da Fiel, União Celeste Novo Riacho, Força Azul de Lavras, Comando Azul, Máfia Azul, MAS, Fúria Azurra, Movimento Azul Cruzeirense, TFC.
  • 20h25 – O telão do placar mostra a passagem dos jogadores do Cruzeiro pelo corredor do Mineirão rumo aos vestiários. A torcida grita o nome de Sorín. Depois, canta em uníssono: “Vamos, vamos Cruzeirôôô!”
  • 29h29 – Telão registra a chegada de Adílson Baptista. Uma torcedora das cativas grita “Esse é o cara!”.
  • 20h32 – Telão mostra a chegada dos jogadores do Estudiantes. Vaias moderadas.
  • 20h35 – Telão exibe um retrospecto do Cruzeiro na Libertadores 2009. Quando são exibidos os lances do jogo de ida, em La Plata, a torcida gritou, em coro: “Puta que o pariu, Fábio é o melhor goleiro do Brasil!”
  • 21h – Torcida FanatiCruz agita bandeiras com as caras de Tostão, Dirceu Lopes, Sorín e Raul Plassmann.
  • 21h01 – Andujar entre em campo para aquecimento e é recebido com vaias.
  • 21h03 – Máfia Azul agita bandeiras e canta seus gritos de guerra.
  • 21h07 – Jogadores do cruzeiro entram em campo para se aquecerem. Cada jogador tem seu nome gritado pela torcida.
  • 21h08 – Sobre o bandeirão da Máfia Azul.
  • 21h23 – Torcida canta o refrão “Ei, Galvão, vai tomate cru!”.
  • 21h30 – Telão exibe um retrospecto dos campeões das 49 Libertadores anteriores. A cada novo escudo, o torcedor se pergunta “Cadê os atleticanos?”
  • 21h35 – Dunga chega ao Mineirão e diz: “Estou observando todos os jogadores. Vamos ver quem tem espírito de decisão”.
  • 21h42 – Estudiantes entra em campo pelo túnel da Lagoa.
  • 21h45 – Sob intenso foguetório e fumaça azul e branca, Cruzeiro entra em campo pelo túnel central.
  • 21h47 – Debaixo de vaias, o Hino Nacional Argentino é executado.
  • 21h49 – Executa-se o Hino Nacional Brasileiro. Torcida dá uma trégua na barulheira.
  • 21h53 – Torcida canta “Libertadores, ser campeão!”
  • 21h57 – Começa o jogo. Estudiantes dá a saída. Os dois times estão com seus uniformes tradicionais. Cruzeiro defende o Gol da Cidade.

O jogo

Primeito tempo

  • 01 – Gerson Magrão (GM) cruza, Schiavi desvia para escanteio.
  • 03 – Jogo truncado no meio de campo. Bolas disputadas de cabeça no círculo central.
  • 04 – Verón dá cotovelada em Ramires.
  • 05 – Henrique passa a Ramires que cruza da direita. Desábato cruza.
  • 08 – Cruzeiro tem imensa dificuldade para sair jogando. Bloqueio de meio de campo do Estudiantes é terrível.
  • 09 – Verón bate falta pela direita, GM cede escanteio. Verón bate escanteio, GM corta de cabeça.
  • 10 – Kléber cai, Chandia manda seguir do jogo sinalizando que não marcará faltas cavadas.
  • 11 – Desábato derruba WP.
  • 12 – Ramires cruza, Desábato corta.
  • 14 – Wagner sai de campo machucado.
  • 18 – Kléber lança rmires, que entra na área e cruza. Schiavi rebate.
  • 19 – Torcida do Cruzeiro sai do estadod e perplexidade e canta alto. Mineirão treme.
  • 20- Fernández recebe na área, gira sob marcação de TH e coloca Boselli na cara do gol. O centroavante fura e perde ótima chance de marcar.
  • 21 – Kléber passa a GM que vasi à linha de fundo e cruza. Schiavi cede escanteio.
  • 22 – GM cobra escanteio da esquerda, LS cabeceia. WP se estica, mas a bola sai pela linha de fundo.
  • 23 – Fernandez recebe libvre na esquerda e chuta por cima do travessão.
  • 24 – Wagner arranca e lança WP, que invade a área, mas para na defesa do goleiro Andújar.
  • 25 – MP passa a Jonathan, que entra na área, mas é impedido de concluir a jogada por Andujar.
  • 26 – Kléber invade a área e cruza. Na cara do gol, Schiavi se antecipa a WP e corta.
  • 27 – Kléber cruza, Wagner não chega a tempo, Desábato despacha a bola.
  • 28 – Andujar cai pra esfriar a partida.
  • 29 – Fernandez passa a Boselli dentro da área, Wagner parece pra cortar.
  • 30 – MP é desarmado no meio de campo, Benitez chuta, Wagner salva o gol argentino.
  • 31 – Jonathan bate falta, Leonardo Silva (LS) cabeceia pra fora da área.
  • 33 – Magrão, por trás, de carrinho desarma Boselli, quando o centroavante se preparava pra fuzilar o arco de Fábio.
  • 34 – Jonathan cruza, Cellay cede escanteio.
  • 35 – Braña comete falta em Kléber. TH bate curto, GM cruza, Desábato corta, dentro da área.
  • 37 – Briga no meio de campo. Jogadores trocam empurrões e socos. Carlos Chandía mostra cartão amarelo pra Verón e Kléber, os pivôs da confusão.
  • 38 – Boselli cai na área, jogo fica parado.
  • 39 – Wagner dá um chega-pra-lá em Verón, no meio de campo.
  • 40 – Braña cobra falta pela direita, Fábio tira de soco.
  • 43 – Boselli gira sob marcação da zaga e chuta por cima do travessão.
  • 44 – Braña dá pontapé em Kléber, caído, e recebe cartão amarelo.
  • 46 – Termina o 1º tempo. Jogadores argentinos cercam Carlos Chandia.
  • Alvimar de Oliveira Costa, ex-presidente do Cruzeiro: “O juiz é fraco, não tem nível pra decisão de Libertadores. Os argentinos praticaram jogo violenta e ainda simularam várias faltas inexistentes.”

Segundo tempo

  • 23h06 – Após 21 munitos, estudiantes volta a campo. Jogo recomça com saída de bola pelo Cruzeiro.
  • 30seg - Jonathan cruza, Verón corta de cabeça.
  • 01 – Wagner bate falta no meiod e campo, WP cabeceia pra fora.
  • 02 – MP passa a kleber, que vvence disputa com os beques e cruza. Andujar defende.
  • 03 – Fernandez cruza, LS corta.
  • 06 – Henrique recebe passe de MP e chuta de fora da área, bola desvia em Desábato, engana Andújar, e entra no canto direito. Cruzeiro 1×0.
  • 09 – Wagner lança WP, dentro da área, mas o centroavante deixa a bola escapar pela linha de fundo.
  • 10 – Torcida canta e púla. Mineirão estremece.
  • 12 – Verón recebe a bola livre, na intermediária do Cruzeiro, pela esquerda, evita MP e vira o jogo para Cellay, que corre livre pela direita. O lateral-direito vai à linha de fundo e cruza rasteiro. TH e Fábio não conseguem cortar, Fernández chaga antes de Henrique e empurra a bola para as redes: Estudiantes 1×1.
  • 17 – Jonathan tabela com Kléber e passa a Ramires, que toca a mão na bola involuntariamente. Chandia marca falta dentro da área argentina.
  • 22 – Kléber recebe falta de Schiavi. Juiz não marca. Na sequência, Ramires empurra Schiavi e o juiz marca a falta.
  • 23 – Boselli passa por TH e chuta pra defesa de Fábio.
  • 24 – Benitez recebe livre na equerda e cruza, LS cede escanteio.
  • 25 – Perez cruza, Henrique corta, de cabeça. Athirson substitui Wagner, que sai contundido.
  • 26 – Magrão escorrega, Braña cruza da direita, TH se antecipa a Benítez e Boselli pra evitar um gol.
  • 27- Depois de mais de um minuto de ensebação, Verón cobra escanteio pela direita e a bola vai na cabeça de Boselli, que cercado pro defensores do Cruzeiro, sobe mais alto e testa para as redes, no canto esquerdo de Fábio. Estudiantes 2×1.
  • 29 – Thiago Ribeiro (TR) substitui Wellington Paulista.
  • 33 – Diaz substitui Benítez.
  • 34 – Verón quase fez o terceiro, em cobrança de falta no ângulo direito.
  • 36 – Torcida pede raça.
  • 37 – Athirson passa a TR, que chuta pra defesa de Andujar.
  • 38 – Kléber cruza, Schiavi cede escanteio.
  • 30 – Athirson passa a TR, Germán Ré cede escanteio.
  • 40 – Marcelo Sanchez substitui Braña.
  • 41 –GM bate corner, defesa espana, TR apanha o rebote e chuta de fora da área. Bola explode no travessão do arco de Andújar.
  • 44 – TR recebe bola lançada por Jonathan na área, e conclui de primeira, pra fora.
  • 45 – Sanchez recebe cartão amarelo.
  • 46 – Calderón substitui “Gata” Fernandez.
  • 47 – Fim de jogo.

Vídeos

Gols

Atuações

  • Adílson Baptista – Escalou o time óbvio. Não funcionou. Suas peças mais importantes foram encaixotadas pelo adversário ficando sem espaços. Trocou Wagner por Athirson e o sdesempenho do time piorou. Wellington Paulista por Thiago Ribeiro deu mais retorno. Teria sido melhor trocar Ramires por outro atacante? Vai saber…
  • Zezé Perrela – Chorou após a partida. Compreensível. Culpou o juiz. Incompreensível. Errou ao vender Ramires e anunciar no meio da competição. No mais, fez o que pôde. Foi puro entusiasmo, lutou pelos interesses do clube nos momentos mais difíceis sem contar com o apoio da madrasta CBF e, num esforço supremo, ofereceu premiação milionária aos atletas. Tudo em vão diante de um adversário de melhor qualidade. Tomara que o baque não o desanime. Outras decisões serão disputadas em sua gestão. Melhorando o nível do elenco, ele poderá conquistar várias delas.
  • Eduardo Maluf – Foi outro guerreiro, é preciso dizer. Contornou obstáculos que o torcedor nem imagina. O mais complicado foi o de convencer r a rapaziada a jogar em La Plata. O que requereu dele muita habilidade. Muita tenacidade. Muita dedicação.
  • Torcida – Fez uma festa espetacular durante a semana que precedeu a final, abateu-se quando viu que o leão não era manso, mas, ainda assim, teve seus bons momentos durante a partida.
  • Fábio – Sem ele, o Cruzeiro não teria chegado à final. Foi o jogador mais regular da equipe, salvando vários gols em cada partida. Ontem, defendeu apenas o que era possível. Faltou o algo mais. E ainda pode dividir com Thiago Heleno a responsabilidade pelo gol de Fernandez. Coisas do futebol.
  • Jonathan – Tímido, pouco atacou. E quando o fez, levou bola nas costas.
  • Leonardo Silva – O melhor da defesa. Como sempre.
  • Thiago Heleno – Esteve na cena dos dois gols pinchas. No 1º, não cortou o cruzamento; no 2º, perdeu um duelo pelo alto com uma cara bem mais baixo do que ele. Dizem que jogou no sacrifício. É provável. E lamentável.
  • Gerson Magrão – Começou muito bem, com ótimas arrancadas pelo setor esquerdo. No 2º tempo, andou trocando de posicionamento com Wagner, mas foi apanhado de surpresa por um lançamento preciso de Verón, que encontrou Cellay completamente livre, no corredor que ele (ou seria o Wagner?) deveria fechar. O lance rendeu o gol de empate do Estudiantes e avacalhou a partida de Magrão que, daí em diante, perdeu a confiança em si mesmo e não arriscou mais nada.
  • Henrique – Fez o gol e lutou muito. Não fossem ele e Paraná, Verón teria feito estrago ainda maior. Sua evolução técnica e tática e sua deidicação durante o torneio merecem ser destacadas. Deveria receber o tão comentado Troféu Espírito de Libertadores. Prova de que nem sempre os jogadores mais caros são os que dão mais retorno.
  • Marquinhos Paraná – Não mudou sua forma de atuar em função da importância da partida. Teve mais dificuldades do que habitualmente, pois Ramires ajudou pouco na marcação e porque o adversário tem um ótimo meio de campo. Mas isto não o fez perder a tranqüilidade. No lance capital da partida, Verón evitou o confronto direto dom ele e fez um lançamento preciso para Cellay dar início à jogada do gol de empate. Se La Bruja tivesse topado a disputa, o Cruzeiro seria campeão, pois Marquinhos teria lhe tomado a bola.
  • Ramires – Deixou de ser volante e virou um perdido sem espaço. Não deixou de lutar, nem tirou o pé das divididas por já estar vendido ao Benfica, como chutam alguns amantes do discurso fácil. Mas também não jogou nem a metade do que fazia em seus melhores momentos. Em boa medida porque o meio de campo pincha não deixou espaços para suas evoluções.
  • Wagner – Sempre que o time perde, é selecionado para carregar os pecados do mundo. Ontem, contundiu-se com pouco mais de dez minutos e, mesmo assim, foi responsável por algumas boas jogadas. Mas como futebol do Cruzeiro parece não combinar com as táticas do Estudiantes também não brilhou.
  • Kléber – Percebeu, de cara, que o juiz só marcaria falta sobre ele em caso de crime hediondo. Sem as faltas, perdeu um pouco de sua eficácia. Passou quase toda a partida procurando a jogada vencedora e ela não aconteceu. Faltou jogo coletivo e quem dialogasse com ele com mais qualidade.
  • Wellington Paulista – Desta vez, não teve oportunidade de empurrar a bola pras redes. Como,além disto, pouco sabe fazer, acabou substituído.
  • Thiago Ribeiro – Entrou num momento em que o time já havia arriado a mochila e, não obstante, movimentou-se muito. Chutou uma bola no travessão e desperdiçou, no finalzinho, a oportunidade de empatar ao concluir pra fora uma bola cruzada em diagonal, que enganou a defesa pincharrata e o encontrou livre, porém sem ângulo adequado pra conclusão, no 2º pau.
  • Juiz & Bandeiras – O juiz chileno, Carlos Chandia, é ruim que dói. Deixou o pau comer solto, inverteu faltas e deu apenas 1/3 do tempo acréscimo justo no final da partida. Mesmo assim, não pode receber a fatura pelo titulo que o Cruzeiro desperdiçou em casa.
  • Adversários – Com poucos recursos financeiros e técnicos também se pode fazer um bom time. É o caso do entrosado, tranqüilo e autoconfiante Estudiantes. Verón foi um maestro. Estraçaiou. La Gata Fernandez , um perigo constante. Perez, Benitez e Brañas três mosqueteiros a serviço de Verón. E os beques-beques, Schiavi e Desábato, embora toscos, não se deixaram enganar pelos atacantes cruzeirenses. O que, no final das contas, é o papel de jogadores de defesa. E para o Alejandro Sabella, nada? Tudo! Ele passou a perna taticamente em Adílson Baptista, o que não é café pequeno.

O que foi dito

  • Adílson Batista, treinador do Cruzeiro: “Vamos reagir, podem ter certeza disso. Minha obrigação é fazer reagir. Vamos retribuir o carinho da torcida com, pelo menos, uma das vagas na Libertadores. Estamos atrás do objetivo. Lembro que naquele ano o Grêmio perdeu, mas a torcida aplaudiu. Retribuímos com a conquista da Libertadores. Contra o Estudiantes, vi o aplauso, o torcedor sentido. Mas vamos reagir. Agora é o momento de chorar com as esposas e com os filhos. Na sexta, vamos pensar nesse time bem armado pelo Mano Menezes e campeão da Copa do Brasil, que tem o Ronaldo. Pode ser que a reação não venha domingo, mas nós vamos.”
  • Fábio, goleiro do Cruzeiro: “Só Jesus mesmo para dar o consolo. Ele sabe de todas as coisas. Tem que dar os méritos para a equipe adversária . É difícil encontrar palavras pelo o momento que estamos vivendo. A nação azul apoiou não só hoje, mas durante toda a trajetória. A gente queria o tricampeonato e com certeza vamos nos superar. O grupo estava com os pés no chão. A gente tinha consciência de que o adversário era de qualidade e sabia jogar bem fora de casa. Não por acaso chegou à final. No futebol, as oportunidades aparecem a cada jogo. A gente tem que superar com a união e buscar as vitórias para lutar o máximo dentro do Brasileiro.”
  • Kléber, atacante do Cruzeiro: “Podia ser diferente. Os jogadores estão todos abatidos. É a perda maior da maioria dos jogadores que estão aqui. Perdemos para nós mesmos. A gente vinha tentando o jogo, mas veio uma bola cruzada que não marcamos e depois a bola parada, que sabíamos que era forte da parte deles. Tomamos dois gols em erros nossos e perdemos o jogo. Eu acho que a gente tem que recomeçar logo. Não tem como ficar remoendo uma derrota. O Brasileiro está aí, e a gente está mal. Vamos levantar a cabeça e correr atrás. Nosso time é bom. Não é por uma derrota que ninguém presta. O time tem tudo para se reerguer e buscar o título. O São Paulo buscou o Grêmio no ano passado depois de tantos pontos perdidos e foi campeão. Vamos colocar isso na cabeça.”
  • Ramires, volante do Cruzeiro: “Não tem o que dizer. É um momento de tristeza para todos nós. Agora é levantar a cabeça.”
  • Anderson Beraldo, beque do Cruzeiro: “Fiquei triste por várias coisas que aconteceram, mas isso faz parte do futebol e já é passado. Eu conversei com Adilson, respeitei a opinião dele. Acho que ajudei muito na reta final, mas agora é levantar a cabeça. Tenho contrato com o Lyon e vou seguir a minha vida. Agora tenho de resolver minha situação. Saber se vou permanecer lá ou se vou para outra equipe.”
  • Eduardo Maluf, Diretor de Futebol do Cruzeiro: “Não é o fim do mundo. O Cruzeiro não fez um bom jogo, mas a arbitragem não é do nível de uma final de Libertadores, foi complacente com tudo que o Estudiantes veio para fazer, advertia pouco, deu poucos acréscimos. Mas temos que respeitar, o Estudiantes foi mais eficiente.”
  • Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro: “É o pior dia da minha vida e quero pedir desculpas ao torcedor. Mas só perde quem chega. O Cruzeiro é o maior time de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil. Sabíamos que seria difícil, teria que ter um campeão, e foram eles. O Cruzeiro errou duas vezes e sofreu dois gols. Foi um jogo de xadrez, e eles são catimbeiros. Quando não existe futebol, a sorte prevalece mais do que a técnica e eles foram felizes. O juiz, com todo o respeito, estava arranjado. Pelo que vimos no jogo, ele deixou a pancadaria correr. Nessas horas dá vontade de largar tudo, mas a vida continua. O Cruzeiro é grande e vamos brigar por outros títulos. O Ramires disse que queria jogar e se esforçou. A venda dele foi uma necessidade, que já foi explicada. As especulações referentes à venda de jogadores partiram da imprensa. Metade do time do Estudiantes já estava negociada e eles foram campeões assim mesmo. O que faltou foi apenas jogar bom. Hoje os adversários foram mais competentes. O Cruzeiro disputará novas Libertadores. Agora, vamos brigar pelo Brasileiro. Ainda dá. Espero que a gente consiga fazer esta dor passar rápido pra voltarmos ao trabalho. Reforçaremos a equipe. Caso vencêssemos, iríamos escalar um time reserva contra o Corinthians. Agora, vamos repensar. O Brasileiro é a chance que temos de voltar para a Libertadores. Vamos brigar pelo título. Ainda dá tempo.”
  • Toninho Almeida, ex-jogador do Cruzeiro: “No jogo do Atlético-MG x São Paulo, ontem, passaram o Veron levantando a taça Libertadores e os gols do Estudiantes no telão do Mineirão. Se os dirigentes da Ademg fossem profissionais, não permitiram tal situação. Que coisa! Jamais deveriam usar imagem do time celeste em jogo de seu rival. Ou eles são torcedores também? É caso de exoneraração imediata de toda a cúpula da atarquia.”
  • Alejandro Sabella, técnico do Estudiantes: “Verón é o jogador mais importante do Estudiantes, desde a fundação do clube.”
  • Mensagens, ao vivo, de Darcucci, correspondente do canchallena.com, no Mineirão: “8:21: É incrível o contraste entre a chegada do Cruzeiro e do Estudiantes ao estádio. Os brasileiros estão concentrados, e os argentinos em festa. 8:22: O Estudiantes chega ao Mineirão uma hora e meia antes da partida. Os jogadores descem eufóricos do ônibus. É a imagem de uma equipe que está buscando a glória. 8:23: Pelo menos quanto aos gestos nos momentos que antecedem à partida, o Estudiantes não se parece com uma típica equipe argentina: estão todos relaxados, abertos. 8:31: Vive-se um marco incrível no Brasil onde são esperadas 60 mil pessoas no Mineirão. Apenas 4 mil hinchas do Estudiantes incentivarão seu time. 8:47: Faltam 65 minutos pra começar a partida. Sabella dá entrevista à televisão. Insisto: o Estudiantes nem parece time argentino. 8:48: Treinador, jogadores e auxiliares do Estudiantes e até o juiz Chandia dão entrevistas. Falta uma hora pra começar o jogo. 8:50: A gripe A diz presente: policiais brasileiros usam máscaras. 8:51: Na TV, Sabella diz que o Estudiantes congestionará o meio de campo e sairá com rapidez nas costas dos laterais. Nenhum mistério. 8:55: É ostensivo: policiais, vendedores e todos os brasileiros que tenham contato com argentinos estão usando máscaras. 8:56: Na Fox, Benedetto fala sobre um misterioso personagem que chegou com o plantel do Estudiantes: ‘Ele já fez seu trabalho’. É o bruxo, não é?”
  • La Nación, de Buenos Aires: “Com arrancadas de Wellington Paulista, o Cruzeiro teve duas oportunidades claras no 1º tempo. Mariano Andujar, que impediu os gols, virou uma figura de destaque. O Estudiantes também criou duas, ambas desperdiçadas por Mauro Boselli. A primeira com finalização pífia depois de um passe da Gata Fernández, e a outra, que Magrão interceptou no limite. Desenvoltura e pegada, foram os atributos de um meio de campo liderado por Verón y Braña que, algumas vezes, cometeu excessos. E como os brasileiros não afinaram, o jogo ficou ríspido e truncado. Aconteceram, inclusive, reações desmedidas das duas equipes, que mereciam ser castigadas com mais energia pelo árbitro chileno, Carlos Chandía. Logo de cara, as teorias, previsões e conversas de vestiário receberam uma pancada que lhes tirou as forças. A bola viajou pelos ares, chocou-se com o corpo de Leandro Desábato para aninhar-se no cantinho do arco defendido por Andujar. A descomunal pancada de direita de Henrique pôs de pernas pro ar todos o planejamento de jogo. Após o gol, a grande virtude do Estudiantes foi não ter recorrido ao desespero pra mudar o rumo das coisas. E isto aconteceu, sobretudo, porque o time encontrou facilidade pra se rearranjar com um contra-ataque iniciado por Verón que lançou Cellay em profundidade. O defensor cruzou para a pequena área. Surpreso, Fábio deixou Gata Fernandez com o gol aberto pra empatar. A equipe pincharrata fez o que mais incomoda aos brasileiros: não demonstrou sentir medo deles. E, assim, chegou o momento de crescer em campo. A hora certa para a figura de Boselli se agigantar com a cabeçada que fez toda a torcida Pincha gritar e viver uma noite inesquecível. ‘Campeão da América!’, um grito para sempre.”
  • Alejandro Sabella, treinador do Estudiantes: “Jogamos de acordo com nossas possibilidades. Sabíamos que o Cruzeiro exploraria os espaços do campo, tentaria nos pressionar. Mas conseguimos ter a bola e não os deixamos atacar. O gol de empate foi psicológico porque aconteceu logo depois do gol deles. Exploramos esse desespero do adversário e impusemos o nosso jogo. Fomos inteligentes.”
  • El Dia, jornal de La Plata: “Estudiantes foi melhor que o seu rival, controlou o jogo com experiência e nunca esmoreceu por jogar como visitante em um estádio com mais de 70 mil torcedores brasileiros.”
  • Verón, volante do Estudiantes: “Este título é pra torcida, que sempre nos apoiou.”
  • Mauro Boselli, centroavante do Estudiantes: “Cumprimos o objetivo que havíamos traçado. Agora, quere festejar com a torcida.”
  • Leandro Benítez, volante do Estudiantes: “Pra mim, o melhor desta conquista é o fato de ter sido com a camisa do meu time de coração.”
  • José Luis Calderón, centroavante reserva do Estudiantes: “Foi justo. Merecemos ser campeões. Viramos o placar sem jamais perder a organização. Estou muito feliz.” (
  • Rolando Schiavi, beque dom Estudiantes: “Foi uma grande alegria ter jogado estas partidas. Quero agradecer ao pessoal do Estudiantes por ter me dado esta oportunidade, por ter me aberto as portas. Estou muito feliz.”
  • Braña, volante do Estudiantes: “Fizemos história. A vida vai seguir, jogadores tomarão rumos distintos. No futuro, porém, quando nos encontrarmos, vamos recordar essa coisa linda que fizemos hoje como algo muito importante. Porque a fama passa, o dinheiro acaba, mas a glória é para sempre.”
  • Vitor Birner: “Brasileiros e argentinos fizeram o que se chama de jogo com cara de Libertadores. Pegado, intenso, as vezes violento e com alguns lances desleais, a partida deve ter deixado muita gente com o coração na garganta. Não havia grandes segredos. Em especial, porque os pincharratas não possuem grandes variações táticas. Porem a frieza dos atletas e a força do sistema defensivo pesam bastante nessas horas. O jogo todo foi tenso. (…) O Estudiantes mostrou que emocionalmente estava mais bem preparado para aquela circunstância. Não se tratava de tática e técnica apenas. Mas de nervos no lugar, equilíbrio emocional. Verón, Perez e Benitez chamaram o jogo. Trocaram passes bem no estilo da escola argentina e construíram a virada. Calmos e racionais, frios e competitivos, entenderam a situação. (…) Na decisão equilibrada, o verdadeiro choque de estilos, se sagrou campeão o que esteve melhor na parte emocional.”
  • Lédio Carmona: “Velez vence o São Paulo, em 1994. Boca vence o Palmeiras, em 2000. Boca derrota o Santos, em 2003. Boca passa passa pelo Grêmio, em 2007. E, agora, o Estudiantes é campeão em cima do Cruzeiro, no Mineirão. Na cinco últimas finais de Libertadores entre Brasil e Argentina, eles venceram todas. Hoje, no Mineirão, Veron jogou demais, mas o Cruzeiro saiu na frente (Henrique). Sem perder o controle um só segundo, o Estudiantes soube chegar ao empate (Gaston Fernandez) e ganhar a quarta Libertadores da sua história, com o gol decisivo de Mauro Boselli, artilheiro da Libertadores, com 8 gols. Que não punam nem crucifiquem o excelente time do Cruzeiro e seu ótimo treinador, Adilson Baptista, por causa dessa derrota. Que a leitura da decisão seja serena e racional, na medida do possível. Eu, por exemplo, ainda sob impacto da tensão do jogo, decidi escrever apenas amanhã. Melhor do que bater nesse lap top com a sensação de que poderia ser diferente. Mais conveniente esquecer, dormir e acordar renovado. Em tempo: não sou Pacheco, nunca fui, nem jamais serei.”
  • Juca Kfouri: “Um jogo de xadrez. Mas com uma tensão que tabuleiro algum jamais passou perto. Cruzeiro e Estudiantes se estudaram, se respeitaram, se temeram e se agrediram. O primeiro tempo no Mineirão não chegou a ter uma chance clara de gol, embora por três vezes os cruzeirenses tenham sido obrigados a se desdobrar para evitar um tiro final que poderia ser fatal. O Cruzeiro chegou menos, raras vezes conseguiu ser rápido e sofreu com a marcação argentina desde a saída de bola. Verón comandava o time de La Plata melhor que qualquer brasileiro liderava a equipe de Belo Horizonte. E nem mesmo a torcida cruzeirense encontrava ânimo para empurrar o time. O segundo tempo começou com os mesmos jogadores do primeiro. Pena que o país inteiro não pudesse ver o jogo, o mais nobre da temporada das Américas. Não só porque a CBF não homenageia ”o jogo”, ao marcar outras seis partidas para a mesma noite, como, também, porque a própria TV não valoriza o que tem nas mãos. Ora, a decisão da Libertadores era para ser a única atração da noite, como acontece na Europa com a final da Liga dos Campeões. Mas, não. Aqui chegaram ao requinte de adiar um jogo entre Corinthians e Fluminense para rivalizar com a primeira partida das finais da Libertadores. E é claro que o torcedor prefere ver seu time a ver qualquer outro, valha o que valer o jogo do outro. Só que, assim, quem perde é “o jogo”, sua liturgia, seu encanto, seu drama, sua emoção. Emoção que chegou ao auge logo aos 6 minutos, quando Henrique chutou da intermediária, a bola desviou em Desábato e morreu, ou melhor, foi viver no fundo da rede argentina. Então, o Mineirão pegou fogo. Por apenas cinco minutos, porque Fernández empatou ao complementar jogada pela direita da defesa brasileira. E o time brasileiro sentiu o golpe, ficou meio grogue, e permitiu que os argentinos tomassem as rédeas da partida. Ramires pouco fazia, Athirson entrou no lugar de Wagner e, aos 27, de cabeça, Boselli, fez 2×1, aproveitando-se de uma cobrança de escanteio de Verón, que era xingado pela torcida. Wellington Paulista sai e entra Thiago Ribeiro que, aos 41, mandou uma bomba no travessão. A torcida pedia raça, mas ela mesma era subjugada pelos 3 mil hinchas no Mineirão. O Estudiantes era tetracampeão, com toda justiça. E mantinha uma maldita escrita recente: os brasileiros não ganham decisões contra times estrangeiros, mesmo com o direito de jogar a segunda partida em casa, como aconteceu com Palmeiras e Santos e Grêmio diante do Boca Juniors e com o Fluminense contra a LDU, além do São Caetano, batido pelo Olimpia.”
  • PVC: “A derrota do Cruzeiro para o Estudiantes aconteceu por uma única questão: o time argentino jogou mais. O Cruzeiro não conseguiu fazer seu jogo de toque de bola no primeiro tempo, evoluiu um pouco no segundo, chegou ao gol num momento em que Verón não acompanhou Henrique. E então o Cruzeiro permitiu que o Estudiantes abrisse pelo lado direito, pelo corredor que gosta de usar. O ançamento de Verón para Cellay abriu a vitória, com o gol de Gastón Fernández. Na sequência o erro de Gérson Magrão, que permitiu o escanteio e o gol de Boselli, artilheiro da competição com 8 gols. Agora são seis derrotas seguidas em finais de Libertadores, contra adversários estrangeiros. Quatro delas contra argentinos. Não há razão objetiva para isso. Primeiro, porque os argentinos padecem dos mesmos problemas do futebol brasileiro. O êxodo faz do país um misto de aspirantes e veteranos. Alguns brilhantes, como Verón. Nessas derrotas, havia representantes brasileiros técnicos, como o Cruzeiro, de força, como o Grêmio, ou mesclas de vibração com boa técnica, como o Palmeiras de 2000, de Alex e de Felipão. O Estudiantes venceu por uma razão simples: é um belíssimo time de futebol.”
  • André Kfouri: “A mesma paciência, a mesma organização, o mesmo equilíbrio que o Cruzeiro precisava ter, também eram obrigações do Estudiantes. Só que os argentinos tinham uma vantagem: quanto mais o tempo passasse, com 0×0 no placar, pior seria para quem estava em casa, apoiado pela torcida e pressionado pela responsabilidade de atacar. Os argentinos também tinham a picardia e a malandragem futebolística (que, pelo jeito, sempre nos faltarão) para tocar a bola e transformar o tempo em aliado. A diferença do jogo não foi tática, nem técnica. Foi o que aconteceu com o Estudiantes depois do gol de Henrique, e com o Cruzeiro depois do empate. O Estudiantes não saiu de seu rumo nem por um minuto, e empatou (bolaça de Verón para Cellay) em seis. O Cruzeiro foi tomado por um “e agora?” geral, e levou a virada quinze minutos depois do empate, período no qual não ameaçou o gol argentino. O Cruzeiro não jogou mal, e não envergonhou sua torcida. Apenas foi superado mentalmente, como acontece com frequência quando clubes brasileiros e argentinos se encontram em decisões. Os bons (nem precisam ser muito bons) times argentinos são mais inteligentes, mais obedientes, mais conscientes do que podem e não podem fazer. E não têm absolutamente nenhum problema em jogar aqui, em estádios cheios e com pressão contra. Parece que estão em casa.”
  • André Rizek: “Os argentinos ganharam as últimas cinco finais que disputaram contra times brasileiros. E, detalhe, com a batalha final sempre disputada aqui… Em 1994, o Velez bateu o São Paulo. O Boca Juniores fez a festa três vezes: contra Palmeiras (2000), Santos (2003) e Grêmio (2007). Agora, foi a vez dos Estudiantes no Mineirão. Ao longo da história, os times argentinos venceram 9 das 12 finais que já disputaram contra times brasileiros na Libertadores. Eles são melhores? É claro que não – o Brasil ainda tem os melhores jogadores e o Cruzeiro claramente era (um pouco) superior aos Estudiantes. Mas os (times) argentinos têm uma frieza que os brasileiros não têm. Jogam fora de casa sem nenhum problema. Levam um gol e tudo continua igual do lado de lá. Sofreram 1×0 do Cruzeiro aos 6 minutos do segundo tempo. Empataram cinco minutos depois. E aí, quem sentiu o golpe? O time brasileiro. É clichê. A TV começa a mostrar aquelas imagens de torcedor desesperado na arquibancada, o time brasileiro vai ficando nervoso e ansioso. E murcha… O argentino, na competência e na frieza, vence. As causas desse insuportável complexo de vira-lata, eu não sei – e nem vou me arriscar a fazer uma análise barata. É apenas uma constatação. Histórica. Como também foi impossível não notar que, taticamente, o Estudiantes foi impecável. Anulou (ou seria aniquilou?) os melhores jogadores do Cruzeiro de maneira constrangedora nestas finais. Kléber não pegou na bola. E Verón fez picadinho de Ramires, contrariando minhas expectativas de um post mais aí pra baixo… Começou descontando a cotovelado que levou na Argentina do Ramires logo aos 4 minutos de jogo (não é bonito, eu sei, mas merece registro). E depois, na bola e na experiência, não deixou o “príncipe etíope” andar em campo. Como se não bastasse, participou dos dois gols dos gringos. Não acho que Verón seja esse craque muitos acreditam ser. Mas é inegável que seja um grande jogador. O título tem a cara dele. Eles mereceram…”
  • Emerson Gonçalves: “O Estudiantes venceu e conquistou a Copa Santander Libertadores, tal como fez a LDU em 2008. No Brasil, por conta de uma característica cultural infeliz, para usar um adjetivo fraco, valoriza-se somente o campeão. Pior, um vice-campeonato costuma ser execrado e diminuído, não só por adversários, o que seria natural, embora bobo, mas por parte dos próprios torcedores do vice-campeão. Mesmo porque, para o torcedor é sempre seu time que perde, jamais é o adversário que vence. Ao vencedor negam-se as batatas, aos derrotados sobra somente o opróbrio. Só que não é e não pode ser assim. A Libertadores, infelizmente, não é ainda uma Champion Leagues em matéria de recompensa financeira e reconhecimento mundial, mas é nada menos que a segunda mais importante competição de clubes do mundo e chegar à sua final é uma conquista digna de todos os elogios. Vencer ou não é algo que muitas das vezes escapa às vontades humanas. Uma trave caprichosa pode mudar toda uma história, como ocorreu ontem já nos minutos finais da partida, que só pode ser descrita como uma grande final, com todos os ingredientes de direito. Portanto, campeão e vice-campeão merecem ser parabenizados e muito. O Cruzeiro sai dessa Libertadores maior do que quando entrou, principalmente no que diz respeito às comezinhas coisas do dia-a-dia, como as contas a pagar. E, para isso, a receita dessa Copa cairá muito bem. O vice-campeonato rendeu ao clube um prêmio de 1 milhão de dólares, dado pela Conmebol. A renda do jogo de ontem atingiu o valor bruto de R$2.764.366,43 e um líquido de cerca de 1,8 mi. Somados esses valores às cotas de TV por jogo, que renderam perto de 2 milhões de reais, incluindo o jogo de ontem, e às rendas líquidas das partidas da primeira fase e eliminatórias, o Cruzeiro fecha a campanha na Libertadores com algo mais de 14 milhões de reais de receita, incluindo os patrocínios Aethra Componentes Automotivos e Supermercados BH para os jogos finais. Outros pontos importantes são o crescimento da exposição do clube na mídia e a valorização de atletas do elenco. Esses, porém, não são mensuráveis de imediato, mas em algum momento futuro serão sentidos nos cofres cruzeirenses, positivamente. Essa agora é uma fase decisiva para a torcida, o clube e o time. A situação no Campeonato Brasileiro está longe de ser tão dramática como era a do Fluminense em 2008, mas exige cuidados. Adilson terá que reconcentrar seus atletas, focando-os no torneio nacional e deixando a Libertadores para a história. É o momento, hoje, de valorizar a disputa da final e não de justificar uma derrota. Nesse sentido, declarações como a de Kléber – “perdemos para nós mesmos” (o velho vício brasileiro já citado) – e as do presidente do clube, falando em contratações para o Brasileiro logo depois de falar em contratações para o Mundial, nada somam, nada ajudam. Mesmo porque o que conta nessas horas não é a declaração exata e contextualizada, e sim a versão ou versões que circulam. Um dos problemas do calendário do futebol brasileiro é que o término das copas não coincide com o término da temporada e, psicologicamente, atletas e até torcedores confundem, inconscientemente, esses finais, mesmo quando não são, como é o nosso caso. Com isso, em plena metade do ano futebolístico, com o Brasileiro fechando sua primeira terça parte, treinadores são obrigados a fazer todo um trabalho de recuperação psicológica, gastando para isso um tempo que sempre faz falta no final do ano. Essa é a grande chance para Adilson mostrar seu valor como treinador. E mais um episódio para repensarmos o calendário do nosso futebol.”

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