Categoria:Copa Libertadores da América 1976

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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A Copa Libertadores da América 1976 foi a 17ª edição oficial do principal torneio da América do Sul, realizado pela CONMEBOL. Esta foi a 3ª participação do Cruzeiro na Libertadores e o 1º título do time celeste.

Adversários

Fase de Grupos - Grupo 3
Semi-final - Grupo 1
Final

Geral

Mando de Campo Jogos Pts Aprov. em pts Vitórias (aprov.) Empates Derrotas Gols
Feitos
Gols
Sofridos
Saldo de
Gols
Média de
gols
Média de
gols sofridos

Geral 13 34 87,18% 11
(84,62%)
1 1 46 17 29 3,54 1,31
Mandante 6 18 100,00% 6
(100,00%)
0 0 28 9 19 4,67 1,50
Visitante 6 13 72,22% 4
(66,67%)
1 1 15 6 9 2,50 1,00
Neutro 1 3 100,00% 1
(100,00%)
0 0 3 2 1 3,00 2,00

História

Após o antológico 5×4 sobre o Inter, o Cruzeiro viajou ao Paraguai para enfrentar o Deportivo Luqueño e o Olímpia, respectivamente, vice e campeão paraguaio de 1975. O Luqueño vencera o clássico local por 3×2. Portanto, o jogo do domingo, 14mar76, seria o confronto dos vencedores da 1ª rodada. O jogo: 14/03/1976 - Sportivo Luqueño 1 x 3 Cruzeiro

No mesmo dia, o Inter suou pra bater o Olímpia por 1×0 em Porto Alegre. Com duas derrotas em dois jogos, os paraguaios teriam que vencer o Cruzeiro pra manter suas já diminutas chances de classificação.

Na quinta-feira, 18mar76, o Defensores Del Chaco recebeu 35.000 pagantes. Nas tribunas, estava Osvaldo Brandão, técnico da Seleção Brasileira, que no inicio de abril jogaria contra o Paraguai no mesmo estádio, com as presenças de Palhinha, Nelinho e Joãozinho. A festa foi geral quando o Olímpia terminou o 1º tempo com o placar favorável de 2×0.

Esse resultado deveu-se mais a má atuação do Cruzeiro do que propriamente por méritos do time local. Piazza e Nelinho, que falhou nos dois gols, jogavam mal. Joãozinho estava apagado. Palhinha novamente fazia falta.

Como no jogo anterior, o Cruzeiro voltou melhor no 2º tempo. Aos 5, Jairzinho fez um golaço. Recebeu na área, matou no peito, com um toque se livrou de três marcadores e bateu para o gol. Aos 23, Roberto Batata foi expulso e, por pouco, a reação não ficou comprometida.

Zezé fez a mesma substituição do jogo anterior, só que Nelinho, no meio, continuou mal. O que fez a diferença foi a raça, a aplicação tática e Jairzinho, que assumiu a tarefa de organizar as jogadas ofensivas.

Mesmo com dez, o Cruzeiro seguiu pressionando em busca do empate. O esforço foi recompensado com o empate aos 34, quando Darci Menezes escorou, de cabeça, um escanteio.

Este seria o único empate do Cruzeiro em toda a campanha. O time voltou do Paraguai com 3 pontos e a liderança do grupo, com 5 pontos. O Inter chegaria aos 4 depois de vencer o Luqueño por 3×0, em Porto Alegre, no domingo seguinte, 21mar76.

  • Cruzeiro 2×2 Olímpia, quinta-feira, 18mar76, 3ª rodada da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 15.821 pagantes – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Díaz, 36, e Torres, 45 do 1º tempo; Jairzinho, 5, Darci Menezes, 34 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos (Isidoro); Roberto Batata, Eduardo Amorim, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Olímpia: Ever Hugo Almeida, Eduardo Rivera, Alcides Sosa, Flamínio Sosa e Rufino León; Luiz Torres, Silvério Troche; Hugo Talavera, Isasi (Ramon Barrientos), Julio Díaz e Barreiros. Notas: 1. Ever Hugo Almeida, goleiro do Olímpia, é o recordista em participações na Libertadores, com 113 partidas em 16 edições entre 73 e 90. Nesse período, ganhou dois títulos, em 79 e 90. 2. O Olímpia participou de 35 edições da Libertadores, conquistando o título em 79, 90 e 02. Foi campeão paraguaio 38 vezes, mas desde 00 não conquista o título.

Mais de 33 mil torcedores compareceram ao Mineirão na noite de quarta-feira, 24mar76, para acompanhar Cruzeiro x Luqueño. Se jogando em casa os paraguaios já tinham sido batidos com certa facilidade, ninguém acreditava que pudessem surpreender em Beagá.

Amplamente superior, o Cruzeiro não teve dificuldade pra confirmar seu favoritismo. Palhinha abriu o placar aos 12, Eduardo aumentou aos 15 e Nicolichia diminuiu aos 23. No 2º tempo, Palhinha, aos 17, e Jairzinho, aos 27, sacramentaram a goleada.

  • Cruzeiro 4×1 Deportivo Luqueño, quarta-feira, 24mar76, 4ª rodada do Grupo 3 da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 33.225 pagantes – Renda: Cr$415.434,00 – Juiz: Pedro Reyes (Peru) – Gols: Palhinha, 12, Eduardo, 15 e Nicolichia, 23 1º tempo; Palhinha, 17 e Jairzinho, 27 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes (Ozires) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos (Eli Mendes); Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Deportivo Luqueño: Arce, Peralta, Fretes, Gilberto Fleitas e Rios; Sanabria e Haywood (Martinez); Ferreira (León), Francisco Rivera, Orlando Jimenez e Julio Cesar Nicolichia. Tec: Carlos Arce.

No domingo, 28mar76, Cruzeiro e Inter voltaram a se enfrentar, desta feita em Porto Alegre. Devido aos duelos anteriores, à qualidade técnica das equipes e ao caráter decisivo da partida, havia enorme expectativa e a TV transmitiu a partida para todo o país, algo raro na época.

O Cruzeiro somava 7 pontos e teria apenas mais um jogo a fazer além deste. O Inter tinha 4, e ainda enfrentaria os dois times paraguaios, fora de casa. Portanto, uma vitória celeste eliminaria os colorados, que precisavam vencer pra ficar em vantagem.

O clima no Beira-Rio, lotado por 80 mil torcedores, era de guerra. O Cruzeiro não se intimidou. No primeiro lance, Ozires lançou Joãozinho e Cláudio apareceu pra afastar o perigo. O Inter respondeu aos 3 minutos. Após falha de Morais, Ramon ficou livre pra avançar em direção ao gol, mas preferiu chutar de primeira e errou.

O Inter insistiu inutilmente no jogo aéreo diante da segura defesa celeste. Antes do jogo, temia-se pela atuação de Ozires, que fazia a sua primeira partida como titular. Mas ele não sentiu o peso e fez boa apresentação com o apoio de Piazza e Zé Carlos, que jogaram muito na proteção à defesa.

No ataque, Palhinha, Joãozinho e, principalmente, Jairzinho levavam pânico à defesa colorada. Aos 19 minutos, Jair recebeu passe de Palhinha na entrada da área, desvencilhou-se de três marcadores e bateu no canto direito de Manga, abrindo o placar.

Com a vantagem, o Cruzeiro se fechou ainda mais pra explorar os contra-ataques. E teve quase ampliou aos 30, depois de ótima trama do ataque, que obrigou Manga a sair com os pés pra cortar a bola. Na melhor chance colorada, aos 43, Escurinho cabeceou no ângulo. Raul esticou-se pra espalmar.

Logo aos 2 minutos do 2º tempo, Ramon acertou o travessão. Foi um lance isolado do ataque colorado. Sem Lula, que deixara o campo no final do 1º tempo com uma indisposição intestinal, o Inter insistia no jogo aéreo. Incomodava pouco e se expunha aos contra-ataques quando avançava.

Aos 27, Jair recebeu de Nelinho e lançou para Palhinha, que driblou Hermínio e chutou cruzado na saída de Manga. Do outro lado, Joãozinho surgiu como um foguete e arrematou com o gol vazio, silenciando o Beira Rio.

Jairzinho foi o nome do jogo. Fez um gol e a jogada de outro. Menos de três meses antes, ele chegara a Beagá desacreditado, mas suas grandes atuações provavam o acerto de Zezé Moreira, que insistira na sua contratação. Na volta de Porto Alegre, a torcida se rendeu ao oferecer recepção de ídolo ao tricampeão mundial, no Aeroporto da Pampulha.

A imprensa gaúcha rendeu-se ao melhor time do país:

Ivo Correia Pires, da Folha da Manhã: “Os onze jogadores do Cruzeiro jogaram mais e melhor do que os onze do Internacional.” Lauro Quadros, da Folha da Manhã: “Em síntese, o certo seria dizer assim: em 14 de dezembro, o Cruzeiro jogou melhor que o Internacional e o título brasileiro se viu justificado pela campanha colorada. Ontem, 28 de março, o Cruzeiro, campeão do Grupo 3, foi time de desempenho superior e campanha melhor. Qualquer reclamação seria improcedente.” Mário Moraes, do Zero Hora: “Não, não há desculpa. Nem nada. O juiz não roubou. Não houve fatores estranhos à partida. Não houve pênalti não marcado. Não houve nada disso. Só houve a incontestável superioridade de um time sobre outro. Venceu o melhor, indiscutivelmente.”

  • Cruzeiro 2×0 Internacional, domingo, 28mar76, 5ª rodada do Grupo 3 da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 80.000 pagantes – Renda: Cr$1.614.600,00 – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Jairzinho, 19 do 1º tempo; Joãozinho, 27 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Internacional: Manga, Cláudio Duarte, Elias Figueroa, Hermínio e Vacaria; Cláudio Caçapava e Paulo Roberto Falcão; Valdomiro, Escurinho, Ramon (Flávio Minuano) e Lula (Jair). Tec: Rubens Minelli.

Mais de 42 mil espectadores foram ao Mineirão no domingo, 04abr76, para comemorar a classificação. Antes da partida, os jogadores do Olímpia colocaram as faixas de tetracampeões mineiros nos cruzeirenses. Os paraguaios bem que tentaram estragar a festa. Talavera fez 1×0 aos 12 minutos, mas ficou nisso. Jairzinho empatou aos 27, escorando passe de Batata.

Aos 4 minutos do 2º tempo, Jair entrou na área e disparou um petardo fazendo 2×0. Nelinho marcou aos 12, cobrando pênalti. Aos 30, Palhinha foi lançado nas costas da zaga, cortou pra o meio, mas a bola correu um pouco e foi Eduardo quem a dominou para driblar o goleiro e chutar entre os zagueiros que tentavam a cobertura.

  • Cruzeiro 4×1 Olímpia, domingo, 04abr76, 6ª rodada do Grupo 3 da 1ª fase da Libertadores 1976 – Público: 42.189 pagantes – renda: Cr$563.807,00 – Juiz: Juan Fortunato (Uruguai) – Gols: Talavera, 12, Jairzinho, 27 do 1º tempo; Jairzinho, 4, Nelinho (p), 12 e Eduardo, 30 do 2º tempo. – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Zé Carlos e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Ronaldo), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Olímpia: Ever Hugo Almeida, Eduardo Rivera, Alcides Sosa (Espinosa), Flamínio Sosa e Perez; Luiz Torres, Silvério Troche (Aquino); Hugo Talavera, Isasi, Julio Díaz e Barreiros.

O Cruzeiro foi campeão do Grupo 3 com 5 vitórias e um empate, 20 gols marcados e 9 sofridos.

Fontes

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