Categoria:Campeonato da Cidade 1940

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Campeonato da Cidade 1940, também chamado e reconhecido como Campeonato Mineiro 1940, foi a 26ª edição oficial do principal torneio de Minas Gerais. O Palestra Itália foi campeão pela quarta vez na história do torneio.

Regulamento

  • 3 turnos: turno de ida, turno de volta e turno neutro com jogos em BH e com todos jogos em estádios neutros (vitória 2 pontos e empate 1 ponto).
  • Em caso de empate, final definida em melhor de 3 jogos.
  • Sem acesso e rebaixamento, pois não havia Série B.

Histórico

A primeira decisão direta entre Cruzeiro e Atlético-MG foi pelo Campeonato da Cidade 1940. Assim como aconteceu em 2013, em que o Independência tornou-se o estádio atleticano e, o Mineirão, o estádio cruzeirense, os rivais exerceram seus mandos de campo em seus próprios domínios naquela grande final.

O estádio alvinegro era em Lourdes e o do Cruzeiro, no bairro vizinho, no Barro Preto. Ambos não existem mais. Eram outros tempos. Longe das mordomias e dos cuidados com a segurança dos dias atuais, os jogadores dormiam no próprio estádio antes das partidas e seguiam a pé, em meio aos torcedores, para jogar no campo rival.

Como foi

O Campeonato da Cidade 1940 seguiu a fórmula dos pontos corridos. Como os rivais encerraram a disputa empatados em número de pontos, o título foi decidido numa série de três partidas. Belo Horizonte, que ainda tinha 220 mil habitantes, teve o privilégio de assistir a primeira final entre os times de maiores torcidas.

O clássico do turno, no Barro Preto, que terminou empatado em 2 a 2, havia proporcionado a maior renda do certame com mais de 10 contos de réis (moeda da época). Mais da metade da soma das rendas das outras partidas da fase.

No final do ano, em dezembro, o Sete de Setembro abandonou o campeonato devido a problemas financeiros. Desta forma, todos os seus jogos foram desconsiderados para a classificação.

Primeiro jogo da final

O primeiro jogo da final, no dia 29 de dezembro, foi marcado para o estádio do Atlético-MG, onde atualmente está erguido o shopping Diamond Mall. Era acanhado e comportava, no máximo, 10 mil torcedores. No bairro vizinho, no Barro Preto, estavam concentrados os jogadores cruzeirenses. A Toca da Raposa surgiria em 1967 e a concentração eram nos quartos construídos embaixo das arquibancadas do estádio.

Segundo o relato do jornalista Plínio Barreto, que tinha 18 anos, e que assistiu aquela decisão, no dia do jogo:

"os jogadores saíram uniformizados do estádio do Barro Preto pelo portão da rua Guajajaras (que existe até hoje). Não existia o translado de ônibus, como nos dias atuais, e nem mesmo os batedores da polícia militar. O grupo caminhava a pé até o estádio de Lourdes. Ao virarem a rua Araguari, se misturavam aos torcedores, onde recebiam os primeiros gritos de incentivo. Ao cruzarem a avenida Amazonas, seguiam à direita do Colégio Santo Agostinho, na rua Rio Grande do Sul. Ao chegarem no estádio alvinegro entravam pelo portão da rua Gonçalves Dias".

Mesmo na casa do adversário, o Palestra quase emplacou uma goleada histórica. A partida foi dirigida pelo árbitro Mundico, apelido de Raimundo Sampaio, que se tornaria presidente do Sete de Setembro e levaria o nome oficial do estádio Independência. Foi a última temporada dos dois auxiliares de arbitragem de linha de fundo, que seriam extintos.

O atacante Niginho, que era considerado o maior jogador de Minas, desequilibrou o primeiro clássico decisivo e mostrou porque era o carrasco do Atlético-MG. No primeiro tempo, deu o passe para o ponta esquerda Alcides abrir o placar e ainda marcou o segundo gol, após receber um passe de seu irmão caçula, Orlando. Ele ainda perderia dois gols incríveis antes de marcar o terceiro gol, no segundo tempo.

Paulo conquistou o gol de honra dos alvinegros. O estádio de Lourdes foi desapropriado na década de 1960 e, em seguida, desmanchado. Na década de 1990 deu lugar ao Shopping Diamond Mall.

Segundo jogo da final

Veio o domingo seguinte, já no ano de 1941, no dia 5 de janeiro. O time atleticano, que também se concentrava em quartos abaixo das arquibancadas de seu estádio, deixou o reduto uma hora antes da partida. Plínio Barreto recorda o exato trajeto que o grupo percorreu até o estádio do Cruzeiro:

"Saíram pelo portão da Gonçalves Dias e desceram a rua Rio Grande do Sul. No cruzamento com a rua dos Aimorés, juntaram-se aos torcedores, onde receberam as primeiras palavras de apoio. Ao cruzarem a avenida amazonas seguiam a rua Araguari até o estádio do Barro Preto, onde entraram pelo portão da rua Guajajaras".

Aquela também foi a última temporada das partidas com o tempo regulamentar de 80 minutos. A partir de maio, os jogos de futebol passaram a ter 90 minutos por determinação da FIFA. Neste segundo jogo, o alvinegro foi mais objetivo e abriu o placar, logo aos 15 minutos. O ponta-direita Edgard recebeu um passe de Rezende e chutou sem chances para o goleiro Geraldo II.

Começava a brilhar na partida a figura dos extremas atleticanos, que se tornariam o destaque do jogo. O Palestra chegou ao empate no final do primeiro tempo, com um gol de cabeça de Dejardes. Mas, na segunda etapa, o ponta Rezende marcou o gol da vitória alvinegra. O estádio do Barro Preto foi desmanchado em 1986 e deu lugar ao parque poliesportivo do clube.

Terceiro jogo da final

O resultado obrigou a realização de uma terceira partida, em terreno neutro, no estádio do América, que foi desmanchado nos anos 70. Em seu lugar foi erguido o supermercado Jumbo. Atualmente, é o supermercado Extra, na avenida Francisco Sales, em Santa Efigênia.

A decisão serviu para quebrar os tabus que incomodavam os rivais. O Palestra não conquistava o campeonato havia 10 anos e o Atlético-MG, que era o atual bicampeão, era o único dos grandes da cidade que nunca havia sido tricampeão. Esta sequência lhe escapara em duas oportunidades, em 1928 e 1933.

A partida, dia 12 de janeiro de 1941, teve como destaque o veterano Carazo, que criou a jogada do primeiro gol cruzeirense, marcado pelo ponta-esquerda Alcides. Logo ao primeiro minuto do segundo tempo, o Palestra confirmou a vitória quando, num chute forte de Orlando, o goleiro Kafunga rebateu e Niginho, sempre ele, marcou o gol da vitória e do título: Palestra 2 a 0.

Foi o último título do Cruzeiro com o seu nome de origem, Palestra Itália. A partir de fevereiro de 1943, após a aprovação de seus novos estatutos pela FMF, passou a atender pelo nome atual.

Após a partida, as duas delegações retornaram, novamente a pé, para os seus respectivos estádios. A do Atlético-MG, triste pela perda de mais um tricampeonato e a do Palestra acompanhando o carnaval dos torcedores até o Barro Preto.

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