Fernando Carazo Castro

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Carazo
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Informações pessoais
Nome completo Fernando Carazo Castro
Data de nasc. 6 de abril de 1904
Local de nasc. La Coruña, Espanha
Falecido em 1986 ou 1987
Local da morte Belo Horizonte, MG, Brasil[1]
Apelido Perigo Louro
Posição Meio Campo
Jogos 113
Gols 44


Fernando Carazo Castro, mais conhecido como Carazo ou Carazzo, foi um ex-jogador espanhol que atuava como meia e atacante. Foi o primeiro jogador estrangeiro que mais fez gol com a camisa do Clube com 44 gols[2]. Marca batida por Marcelo Moreno no dia 7 de dezembro de 2014 ao fazer 45 gols.


Histórico

Nascido em La Coruña, Espanha, em 6 de abril de 1904, Fernando Carazo Castro veio para o Brasil em 1907, com três anos de idade. Segundo filho do jogador, Edmundo Carazo Castro, de acordo com dados obtidos no Memorial do Imigrante, em São Paulo, Carazo desembarcou no Brasil em 23 de março de 1907, no Porto de Santos, vindo de Málaga, na Espanha, juntamente com o pai, a mãe e três irmãos. A família, toda espanhola, veio trabalhar no Brasil.

Carazo iniciou sua carreira no Tapira, clube amador de São Paulo. Teve passagens por outros times de pequeno porte, como Antarctica e Linhagens, ambos também de São Paulo, antes de jogar pelo Palmeiras, em 1927. Um ano depois, se transferiu para o Cruzeiro, ainda denominado Palestra Itália - onde ficou até 1933, na sua primeira passagem pelo clube mineiro - junto com Morganti, Osti, Morgantinho e Arnaldo.

Era um jogador diferenciado, inteligente, com função tática pouco comum à época, o jogador ficava há 10 metros dos atacantes distribuindo a bola, a função do armador atualmente. Participou do título de 1928, jogando em todas as posições da linha média e do ataque. Nas temporadas de 1929 e 1930, fixado como centroavante, cumpriu duas funções aparentemente contraditórias: armar as jogadas de ataque e combater os médios e meias adversários.

O jogador espanhol, que não adquiriu a cidadania brasileira, segundo seu filho, foi um dos ídolos do início da história do Time mineiro e participou das primeiras conquistas do clube de origem italiana, como o tricampeonato estadual, de 1928, 1929 e 1930, com uma equipe que contava também com os lendários Ninão, Nininho, Bengala e Piorra.

Segundo seu filho, Carazo, juntamente com os colegas de clube Bengala e Piorra, exerciam, juntamente ao futebol, a profissão de carpinteiro:

“Quando era jogador, meu pai ia a pé do bairro Floresta, onde ficava a carpintaria dele, até o Barro Preto, para treinar pelo Palestra. Trabalhava como carpinteiro também no Colégio Estadual Central, no bairro de Lourdes. Ele exerceu a profissão até os 80 anos de idade, dois anos antes de falecer.”

As outras duas vezes em que defendeu o Palestra foi de 1936 a 1937 e de 1940 e 1942, depois de voltar a São Paulo e conquistar alguns títulos pelo Palestra de lá. No intervalo entre a segunda e terceira passagem, foi campeão pelo Villa Nova em 1938. Na terceira passagem, foi mais uma vez campeão pelo time do Barro Preto em 1940.

O ídolo mineiro se despediu definitivamente do Palestra Itália em 8 de fevereiro de 1942, na derrota por 4 x 1 para o América-MG, no estádio de Lourdes, pelo Campeonato da Cidade 1941, um ano antes de o Clube mineiro estrear seu novo uniforme, azul e branco, e passar a ser chamado de Cruzeiro Esporte Clube. O maior clube de futebol mineiro mudou o nome por causa de um decreto de lei do governo federal de 31 de agosto de 1942, que proibiu o uso de termos que remetem aos países inimigos do Brasil na 2ª Guerra Mundial em entidades, instituições e estabelecimentos no nosso país.

Carazo terminou sua carreira em 1942 pelo Metalusina, de Barão de Cocais, aborrecido com os companheiros:

Eles se matam em campo contra o Cruzeiro e fazem corpo-mole contra o Atlético; cansei dessa palhaçada e resolvi parar.

Em 2012, o jogador foi homenageado por ser o estrangeiro que mais marcou gols pelo Palestra/Cruzeiro na história, quem recebeu a camiseta com o número 44 foi seu filho Eduardo Carazo.[2]

O que foi dito

“Carazo se preocupava mais em passar a bola para quem estivesse mais bem colocado do que em tentar marcar de qualquer jeito.”
  • Nicolau Angrisano, torcedor:
“Ele premeditava as jogadas e se dava ao trabalho de ir à casa do amigo Ninão para explicá-las antes dos jogos.”
  • Gottardo Dendi, atacante do Sudamerica (URU) após enfrentar um Combinado de Belo Horizonte:
“Dos locais, destaco o center-forward que joga com o cérebro; é excelente para a posição, faz o jogo do seu posto e ainda auxilia o center-half.”
“Carazo foi o melhor elemento em campo. Destacou-se completamente ante os 21 jogadores. Praticou um bom jogo de distribuição, atacou com impetuosidade a ainda conquistou pontos.”
“Com as suas jogadas eletrizantes, os seus passes maravilhosos, sua inteligência invulgar, perfeito cavalheiro na prática do association, foi o homem que proporcionou à numerosa assistência os momentos de entusiasmo. Ele foi aplaudido delirantemente e com uma insistência poucas vezes notada em nossas canchas.”
  • Sua paixão pelo Palestra era radical. O ponta Nogueirinha lembra-se da decisão do campeonato de 40 quando a torcida do Atlético-MG começou a jogar bombas no gramado tentando “melar” o jogo. Carazo foi até o alambrado e berrou com seu indefectível sotaque:
» “Non adianta de nada, non adianta nem jogar rojons que meu Palestra non perde esse jogo de jeito nenhum.”

Títulos

Fontes

Referência

  1. Fernando Carazo Que Fim Levou?
  2. 2,0 2,1 Carazo e Montillo, os maiores artilheiros estrangeiros do Cruzeiro Site Oficial do Cruzeiro