Anexo:Entrevista Marcelo de Oliveira Santos-1

De CruzeiroPédia .:. A História do Cruzeiro Esporte Clube
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Qual avaliação você faz de todo o período no Cruzeiro até esses 50 jogos?

É uma honra estar trabalhando há 50 jogos e pouco mais de 9 meses num clube grande do Brasil, porque a função de técnico aqui é muito instável. Pretendo, não só cumprir meu contrato, mas quem sabe dar sequência no trabalho, que, na minha avaliação, está indo muito bem por uma combinação de aspectos, estrutura com qualidade do elenco e trabalho consistente da comissão técnica.

Com aproveitamento superior a 80%, a rejeição inicial da torcida se transformou em apoio quase unânime. Você considera que a sua ligação com o Atlético já foi esquecida? E como avalia sua identificação com o Cruzeiro?

Historicamente, já aconteceu com outros profissionais e talvez tenham passado pela mesma situação. O início com um pouco de desconfiança, não em relação à competência, ao trabalho, mas em relação ao aspecto rivalidade. Acho que, logo no início, já foi superado, na medida em que começamos o trabalho e as pessoas perceberam que o trabalho é comprometido e sério. Esperamos que seja coroado, que possa ser enfatizada essa ação do profissional acima de qualquer coisa.

Ter vencido três de quatro clássicos foi importante para sua afirmação junto à torcida?

Mais importante é conquista. E a gente está num caminho seguro para conquistar o Brasileiro, embora tenha muitos jogos pela frente. Mas, clássicos também ficam marcados. O clássico, para o jogador e o técnico, é consagrador, como também pode ficar marcado quando o resultado não vem.

No Coritiba, você bateu recorde mundial de vitórias consecutivas e foi vice-campeão da Copa do Brasil por duas vezes. No entanto, você considera que seu momento atual no Cruzeiro já pode ser considerado o melhor da carreira?

O momento é muito bom. Abrir 11 pontos num Campeonato Brasileiro concorrido como é, com grandes equipes e investimentos, mostra o trabalho de equipe em conjunto do Cruzeiro muito bom. Para mim, está sendo excepcional pelo amadurecimento, pelo fortalecimento do trabalho. Agora, precisamos concretizar isso com o título.

Até aqui, quais foram o melhor e o pior momento no Cruzeiro?

Para formamos um time, necessitamos fazer testes, experimentar jogadores e ir ajustando. Foi assim que fizemos desde o início do ano, embora os resultados fossem muito bons, até no Campeonato Mineiro. Acabamos quatro pontos à frente do campeão no Mineiro. A equipe foi ajustando ao longo Brasileiro e sabemos hoje que temos um time equilibrado entre defesa e ataque, com melhor ataque e segunda melhor defesa. Quase sempre me senti muito bem, muito confiante e muito seguro. Essa segurança também veio dos torcedores. E o pior momento foi a inesperada e prematura saída da Copa do Brasil, numa noite muito infeliz do nosso time e de nós todos aqui.

Após a eliminação na Copa do Brasil, o diretor Alexandre Mattos impediu que jogadores e você concedessem entrevista coletiva. Em quê a eliminação diante do Flamengo e a repercussão daquele resultado influenciaram para a boa campanha no Brasileirão?

Aquela foi uma iniciativa da diretoria. Eu estava pronto para falar, gosto de falar das vitórias e explicar quando as coisas não saem e tentando observar onde erramos. Embora tivéssemos perdido, estávamos muito firmes no trabalho e sabendo que foi um capricho do futebol. Ninguém errou tanto para que acontecesse aquilo. Foi ação do adversário e infelicidade do nosso time.

Houve um momento em que você viu o que time havia 'dado liga'?

O momento mais recente de embalar com sete, oito vitórias consecutivas demonstrou que o time estava formado e consolidou a confiança de todos.

A saída do Diego Souza e a entrada do Willian mudaram o perfil da equipe?

Não houve uma adaptação do Diego aqui. Ele é muito bom jogador, mas não conseguiu render dentro da forma que estávamos jogando. E a vinda do Willian representou mais velocidade, um time mais ágil e com melhor recomposição.

O Diego Souza foi contratado antes de você...

Participei, (da contratação). Eu não indiquei o Diego Souza, mas aprovei a vinda dele e insisti com ele, porque sei que ele sabe jogar, apenas não conseguiu talvez porque tenha jogado pouco onde estava, demorou muito a engrenar. Ele fez, esporadicamente, boas partidas, mas, no todo, ele não teve adaptação absoluta ao nosso time.

Você não costuma se alterar em público. O que o tira do sério?

Injustiça, inverdades, desonestidade. Isso me tira do sério. Mas, no futebol, temos de estar muito tranquilos, porque, se eu estiver nervoso, passarei esse sentimento para os jogadores. Procuro sempre estar equilibrado, observando o que não está saindo, dando força para aquilo que é bom. Mas, a gente vê muita coisa no futebol que não são tão corretas ou justas, mas fazem parte do contexto.

Qual exemplo você pode dar dessas situações?

Às vezes, existe uma crítica bem fundamentada, baseada em fatos. Existe a crítica que é uma opinião. E existem poucas, é bom frisar isso, poucas críticas que são perseguidoras ou perversas e que não correspondem à realidade de uma semana de trabalho.

A 14 rodadas do fim do Brasileirão, o Cruzeiro tem 11 pontos de vantagem. Enquanto sua equipe somou 28 pontos dos últimos 30 em disputa, Atlético-PR e Grêmio tropeçaram e somaram 20 pontos. O Botafogo somou apenas 16. O que te leva a adotar discurso cauteloso sobre a proximidade do título?

Estamos tratando de jogo, e jogo é imprevisível. E muito mais jogo de futebol, que envolve 22 jogadores e um árbitro. É momento de apertar mais, estar mais atento, buscar surpreender, agregando sempre algo mais.

Há algum concorrente específico que te cause preocupação?

Nesse momento, estou procurando passar aos jogadores para não olhar para trás e olhar para frente. Olhar para 14 partidas que nos encaminharão a um objetivo maior. Nosso sonho está à frente, não atrás. Podem acontecer tropeços tanto dos adversários quanto do Cruzeiro, mas temos de estar firmes nesse propósito de fazer cada jogo o do ano para nós.

Você faz alguma projeção de pontos para o título?

Estamos trabalhando muito em relação aos jogos em casa, com aproveitamento excepcional, e buscar pontos fora. Normalmente, estando bem, forte, não sentindo confortável e buscando mais, vamos atingir número necessário.

O que pode impedir o título do Cruzeiro?

Oba-oba externo que possa nos atingir e, inconscientemente, nos colocar numa zona de conforto. Isso não vai acontecer com todos, mas, se acontece com um ou outro, pode prejudicar. Esse exercício diário estabelecido aqui na Toca é de fazer o melhor e tentar surpreender. Se está bom, temos de apertar para fazer o melhor.

O que você projeta para a sequência de sua carreira como treinador? Você sonha com Seleção Brasileira ou pensa em ir ao exterior?

Faço uma projeção canalizada no Cruzeiro, no contrato que tenho. Não tenho projeções a médio e longo prazo. A única coisa que gostaria é de que desse muito certo aqui e tivéssemos uma sequência de trabalho, podendo, a cada ano, ajustar melhor e fazer um time ainda mais forte.

Você avalia que jogadores do Cruzeiro deveriam ser lembrados para a Seleção Brasileira neste momento? Nilton e Everton Ribeiro têm sido, nacionalmente, citados como candidatos.

São jogadores que estão jogando fazendo por onde, jogando muito bem. Não me surpreenderia se fossem lembrados, já que o técnico da Seleção disse que ainda tem algumas dúvidas. Como futebol é momento, são jogadores preparados para uma oportunidade. Ficaria muito feliz porque são dois que indiquei ao Cruzeiro, se valorizaram aqui e são dois ótimos profissionais.

Quais são os jogadores que você pediu com mais veemência à diretoria para contratá-los?

Essa formação de elenco se deu com nomes que eu trouxe, nomes que o Cruzeiro já tinha e outros que surgiram depois. O Goulart, por exemplo, já tinha sido contratado e fazia parte da minha lista, assim como o Egídio. O Bruno Rodrigo também estava na minha lista. Posteriormente, foram se costurando essas negociações, o próprio Luan. Um jogador que fiquei extremamente feliz quando surgiu o nome dele foi Willian, porque não tinha lembrado da possibilidade de ele voltar, mas já tinha sido indicado ao Coritiba e monitorado lá atrás quando ainda era jogador do Vila Nova.

O Cruzeiro não tem um jogador que seja a referência do time, mas sim vários dividindo as responsabilidades de decidir partidas. O artilheiro da equipe neste momento é um volante, o Nilton. A que você atribui isso?

É uma coisa muito boa, salutar. Embora as pessoas fiquem esperando um artilheiro, mas é muito saudável você não depender só de um. Quando você tem um só fazendo a maioria dos gols, às vezes ele está fora ou muito mais marcado. O Cruzeiro tem a capacidade de se alguém for muito marcado, surpreender com a chegada de outros para finalizar.

Em 20 jogos no Mineirão, o Cruzeiro venceu 19 e empatou apenas um, contra o Santos. O que leva o Cruzeiro a ser imbatível em casa?

Não é uma coisa só, mas o que tem sido fundamental é a participação do torcedor, contagiando o time, que tem uma resposta muito boa em todos os sentidos, mas, principalmente, nos sentidos de competição e entrega.

Independentemente de equipe, quem é o melhor jogador do Campeonato Brasileiro?

Tenho de pensar. Tem muitos jogadores que se destacam. O futebol está ficando cava vez mais físico, tático e coletivo. Se você me perguntasse do Cruzeiro, o coletivo do Cruzeiro tem sido mais importante. Mesmo o Neymar tendo saído, ele pode ser o melhor jogador por tudo que realizou no tempo que jogou aqui.

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